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Sol de Primavera

Sol de Primavera Faca

Acabo de saber que 10/09 é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Muito adequada a escolha dessa data, Nutro uma paixão desenfreada e correspondida há 59 anos pela vida, cada manhã acordando para viver mais um dia como se fosse o último, apesar dos pesares, da ingratidão, das perdas. Durmo sempre com a consciência tranquila. Além do balanço se mostrar muito favorável, logo os passarinhos cantarão uma nova canção me trazendo sol de primavera e abrindo as janelas do meu peito,

Passarinhos

Hoje falta um ano para seis décadas do meu caminhar pela Terra. Então, posso dizer, venho de longe. Esse infinitesimal lapso de tempo para a eternidade, fantasiado de extensa percorrida para mim, me fez compreender a vida como um mistério a desvendar. Ela nos apresenta esfinges desde a nossa avant première. Decifrá-las com ouvidos mais atentos, escutando os primeiros sinais da experiência do lado de cá, vira um desafio ainda em plagas intrauterinas. Somos avisados do astral a nos esperar pelos sons externos, pela música, pelos ruídos, pelas conversas, pelas discussões, pela selvageria aqui fora. Somos capazes de saber, inclusive, se nos aguardam com alegria, arrependimento, dúvida, predisposição ou indisposição. De antemão ficamos cientes de nossa receptividade. A caminhada por aqui é difícil, requer muita disposição, muito preparo e, em especial, muito equilíbrio. Aqui deciframos os enigmas ou somos devorados.

Menino sírio

As desoladoras surpresas do destino, incríveis respostas da vida, em verdade e em geral, amplificam ecos de nosso comportamento. Outras nem tanto, porém não são menos impiedosas e terríveis. O pequeno sírio Aylan Kurdi, em seus poucos anos de existência, outro dia recebeu a pior resposta possível sem sequer saber o significado da palavra comportamento. Arrastado pelos pais na sofreguidão da procura por refúgio, ele se defrontou com o maior dos mistérios, aquele não desvendado pelos sobreviventes. Aylan se juntou a inúmeros outros inocentes espalhados pelo mundo, vitimados pelas garras do destino, inexorável inimigo dos incautos. A esse oponente aguerrido se aliam muitos impostores, integrantes do fogo amigo permanente com privilégios imerecidos.

Planeta pisado

Indisfarçável o hábito disseminado por pessoas estranhas se supondo ao nosso lado, e mesmo as dali da esquina ou do outro lado do planeta. São a humanidade se comportando de maneira mesquinha, injusta, preconceituosa, desproporcional, insana. Não adianta mantermos um exemplar padrão moral e ético irreparável, porque há interessados em difamar os outros sem a menor preocupação de cometerem erros grosseiros de avaliação. Como agravante, via de regra, essas pessoas possuem histórias sombrias de vida, decisões no mínimo discutíveis, vícios de comportamento, atitudes desairosas. Como num passe de mágica, imaginam apagar seus rastros, suas trajetórias no passado e se travestem de juízes implacáveis. Ato contínuo, se autopromovem a carrascos sumários.

Sebastiao Salgado

Enquanto isso, o mundo segue seus passos inexoráveis para o fracasso da raça humana. A tragédia da humanidade insana está no corpo do pequeno Aylan, na mente do estado islâmico e na alma dos desvalidos. Ela desemboca em imagens aterradoras como a daí de cima, autoexplicativos registros compilados por toda a vida do genial fotógrafo Sebastião Salgado, cuja melhor legenda foi “a espécie humana não merecia estar viva”. E tudo por haver sempre quem se arvore ao direito de julgar, tentando impor seus princípios, seus conceitos, suas ideologias, suas crenças e, em especial, seus traumas existenciais.

Símbolo de Virgem

Ser virginiano e setembrino, dizem os doutos na matéria, nos assegura personalidade forte, hábitos perfeccionistas, comportamento meticuloso, avaliação exigente. Também nos inocula maior sensibilidade. No meu imodesto imaginário, tenho coração generoso, alma limpa e mente arejada. Por outro lado, ferrenho e incansável opositor das injustiças em quaisquer circunstâncias, não sou piedoso. Reverbero as energias assim como as recebo, apenas de forma bem mais intensa.

Quixote e os moinhos

Minha natureza se incumbiu de concordar com os ditames do calendário e do horóscopo. Contra esses tantos moinhos ameaçadores ainda não possuo a volúpia quixotesca, até porque a demência não me alcançou. Minha utopia encontrou nas artes o alento, me oferecendo resistência inspirado nas letras, na poesia e na música, na beleza estética concebida pelos grandes criadores. Talvez por isso, contrariando os tropeços, prossigo no caminho traçado pelo Grande Arquiteto do Universo. E seguirei em frente, admirando o avizinhar de cada primavera, enquanto for possível. Até o último outono me derrubar todas as folhas. Até um derradeiro inverno me congelar todos os frutos dos meus sonhos, me tolher todas as palavras e pensamentos de resistência, me exaurir todas as forças. Ou se uma inesperada e inverossímil agressão me aniquilar mais cedo.

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