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Muros na berlinda

Queda do muro

Os muros estão na berlinda e não mais em Berlim. Vimos a demolição do vergonhoso muro alemão, a falência da União Soviética, a queda das repúblicas menores do leste europeu, vimos até Paulo Francis, um trotskista de carteirinha, rever seus conceitos. Como supor que ideologias retrógradas, com décadas de atraso, se apossem do Brasil como se fossem a moderna solução dos nossos problemas? Ouvir líderes, no país e no seu entorno, insuflando o povo contra a burguesia e as elites, sem dizer aos incautos que eles professam isso, mas viraram elite faz tempo. Não é, Lula? Ou foi um clone seu que gravou o depoimento à PF, dizendo que sua desistência do triplex se deveu ao fato de que 220 m² era uma área muito reduzida para os seus anseios. E gerou seguidores do nível de Dilma ANTA Rousseff, Lindbergh Pinochet Farias, Gleise Gritinhos Hoffmann, Fátima Bézerra, Vanessa sem Grazzi ou Tin, Jandirão sem Fé Ghali, todos com uma alternativa apenas de sinapse, Tico e Teco.

Não me parece menor o muro da vergonha da falta de educação e de qualificação dos brasileiros em geral. Péssima educação, aliás, não é privilégio dos desfavorecidos. Os mais abastados, com frequência, se comportam como trogloditas, supondo suas posses funcionarem como salvaguarda para desconsiderar os outros. Jovens sentados em assentos reservados a idosos, gestantes e deficientes; veículos estacionados em locais específicos a idosos e PNEs; pessoas furando filas em supermercados, cinemas, teatros e em qualquer lugar; desrespeito de todos os tipos, em toda e qualquer espécie de local. Esses indivíduos são os mesmos reclamantes dos governos corruptos e desqualificados Brasil afora. Mas se esquecem de se constituírem na única fonte dessa gente que nos governa. São os brasileiros.

Para amenizar, um registro de espetáculos do outro lado do muro da ignorância. Por que não dizer, demonstrações da verdadeira cultura, muito diferente daquela do oportunismo, financiada pelas verbas governamentais destinadas sempre aos mesmos integrantes da claque dos mandatários. Foram vários nas últimas semanas e resolvi citar dois a título de exemplo. O lançamento do CD/DVD novo do Mauro Senise, na Sala Cecília Meireles, e o show de Dado Villa Lobos e Cristina Braga, no Inusitado de Junho da Cidade das Artes, produção do André Midani.

Dado e Cristina Inusitado

Em 08 de junho, Dado Villa Lobos (guitarra) e Cristina Braga (harpa) apresentaram mais uma página primorosa da série Inusitado, de André Midani: Villa Lobos, ontem e hoje. Derrubaram o muro entre o clássico e o popular, reunindo, no palco da Sala de Câmara da Cidade das Artes, Miguel Braga (violoncelo), Ricardo Medeiros (contrabaixo), Joca Moraes (bateria de Alfaia), além de um Quarteto de Cordas composto por Ana de Oliveira (1º Violino), Dhyan Lucas Toffolo (2º Violino), Fernando Thebaldi (viola), David Chew (violoncelo). Um repertório excepcional da Legião Urbana tocado por músicos eruditos e a guitarra de Dado solando os clássicos de Heitor Villa Lobos. O único aspecto negativo foi o espetáculo não ter sido gravado. Uma obra-prima como aquela merecia ser visto e revisto muitas vezes.

Mauro Senise não ficou em cima do muro das verbas do governo e fez um show antológico em 11 de junho, na Sala Cecília Meireles. Muito bem acompanhado num ­­­­­-revezamento de músicos do naipe de Adriano Souza (piano), Cristóvão Bastos (piano), Gabriel Geszti (piano), Gilson Peranzzetta (piano), Bruno Aguilar (contrabaixo), Rodrigo Villa (contrabaixo), Zeca Assumpção (contrabaixo), Jota Moraes (vibrafone), Kiko Horta (acordeão), Leonardo Amuedo (guitarra), Mingo Araújo (percussão), Ricardo Costa (bateria). Deram uma roupagem especialíssima para a obra de Gilberto Gil, com os lindos e renovados arranjos de Cristóvão, Jotinha, Peranzzetta, Gesti e Horta. Foi um maravilhoso presente na véspera do Dia dos Namorados.