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Tantas emoções

Santo Scenarium 08 09 13

Vou chegando aos sessenta anos e as emoções estão cada vez mais afloradas. Sempre fui uma pessoa sensível, jamais senti vergonha disso. Sempre amei com intensidade, expressando com clareza meus sentimentos. De uns tempos para cá, venho observando uma amplificação da minha sensibilidade. Os fatos também conspiram através de situações mais incisivas, testando esse coração condutor de emoções em profusão às diversas nuances de demonstração.

Sou daqueles chorões inveterados, usina de crônicas permanentes dos eventos mais tocantes, uma alma suscetível ao marejar de olhos diante das cenas mais belas criadas pela humanidade. Agora, quando o outono da vida me faz menos inflexível, as visões parecem chegar de repente e me emocionam sem pedir licença. Sou um espelho das imagens a percorrerem minha visão. Não me reprimo, permitindo a transpiração do sentimento quando ele resolve se mostrar.

Experimentar essa montanha russa de adrenalina serve para lubrificar não apenas as glândulas lacrimais, mas neurônios, artérias, veias, ventrículos. De certa forma, acabamos por capilarizar a noção de espontaneidade. Ao nos tornarmos um pouco mais emotivos, ficamos também mais generosos, mais altruístas, mais sensatos, mais humanos. Enxergamos o menos perceptível, aprofundamos a nossa essência.

Segundo Meimei, pseudônimo de Irma Castro ao ser psicografada por Chico Xavier, “Os olhos que nunca choraram raramente aprendem a ver”. Sábias palavras. As lágrimas não só afloram os sentimentos mais nobres, também ajudam a desembaçar as vidraças das janelas da alma. Aprendemos a ver, na metáfora de Meimei, por enxergarmos tudo com mais nitidez e definição. Ao clarearmos o horizonte, descortinamos melhor a caminhada, pisamos com maior firmeza, aumentamos a convicção. Não devemos nem podemos esconder o que sentimos. Essa pseudoproteção nos custa caro muitas vezes e nos impede de viver com a necessária intensidade e a verdadeira essência.

Por esses e outros mais fundamentados motivos, comemoro com muita alegria e felicidade cada 29/06. Não porque seja devoto de São Pedro ou fã incondicional das festas juninas. Gosto de ambos, mas a minha predileção pela data possui motivação muito mais significativa. Em 29/06/2013 conheci a responsável pela segunda grande transformação da minha vida. Sua especial beleza, exterior e interior, me cativou a ponto de me resgatar de um deserto de sentimentos para me instalar num oásis de felicidade plena.

Hoje, portanto, celebro o meu renascimento, pois a data representa um divisor de lágrimas em meus olhos agora quase sexagenários. Desde 2013, nessa data, eles deixaram de lacrimejar a tristeza profunda e o desalento, passando a desembaçar as vidraças da minha alma com lágrimas de alegria e de felicidade. Ao longo desses três anos, não me censurei uma vez sequer ao declarar o meu amor a quem me proporcionou uma vida nova e feliz. Sou, como todos somos, rodeado de problemas de pequeno e grande porte. Eles não conseguem apagar o sorriso quando aprecio a arte, a gastronomia e a todos os diversos prazeres simples de quem acorda a cada dia com a satisfação de estar vivo, amando e sendo correspondido.

Valeria, EU TE AMO DEMAIS!

29/06/2016