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Um craque nascido Capita

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Não surpreende a maior comoção quando de mortes trágicas e/ou súbitas, ainda mais ao se tratar da perda de uma pessoa famosa. Quando a celebridade vem do meio esportivo ou artístico, portanto mais familiar ao povão, o fato assume proporções gigantescas. Assim se deu com o falecimento do Carlos Alberto Torres, o capitão do Tri, o nosso Capita. Grande ídolo do futebol brasileiro, ele esteve na TV esportiva até domingo passado. A popularidade do eterno Capitão, embora muito maior entre os mais antigos amantes do futebol, transcende idade, clube ou nacionalidade. Haja vista a consternação de monstros como Beckenbauer, Mathaus e inúmeros outros pelo mundo.

Além de forte personalidade, razão de suas opiniões contundentes e sinceras, Carlos Alberto é dono de um precoce e raro currículo vitorioso.  Foi um dos primeiros cracaços identificados por mim como tal. Naquele distante 15/12/1963, na minha estreia num estádio de futebol, justo no Maracanã, testemunhei um jovem, “reco” pelo serviço militar, jogando muito na lateral direita tricolor. Seus cruzamentos e jogadas deram muito trabalho ao melhor jogador em campo, o nosso goleiro Marcial.

Depois disso, logo se transferiu para o Santos. Ficou muito difícil acompanhar a trajetória do Capita pela distância, pela mídia precária da época e pela quase inexistente transmissão televisiva de jogos de futebol. Só nos jogos da Taça Brasil, Rio-SP, amistosos ou nos jogos da seleção. Sempre jogando em alto nível, o Carlos Alberto me impressionou demais. Tive inclusive o prazer de vê-lo jogar no meu Flamengo em 1977, onde também foi treinador campeão brasileiro em 1983, com a célebre e jocosa frase “Meu time é Bigu e mais 10”.

Guardo a mais significativa lembrança dele na Copa de 1970. Nem foi a sua imprescindível liderança, tampouco o enquadramento do Lee no decisivo e antológico jogo contra a Inglaterra. No dia da final contra os italianos, alimentando a ansiedade dos meus 14 anos, escutei logo pela manhã o meu tio Guilherme relatar um sonho. Segundo ele, o Brasil golearia a Itália e o último gol seria do Capita, numa arrancada pela direita. No momento do gol, bem no finalzinho da partida, meu tio se ajoelhou em frente à TV e, chorando copiosamente, mal conseguia falar “eu sonhei com esse gol, eu sonhei com esse gol”.

Por essas e outras, rendo a minha homenagem a esse ícone do futebol mundial.

#RIPCapita


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