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Elektra, Bocelli e Inhotim

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Minha primeira viagem após a cirurgia era forçada. Havia uma audiência me obrigando a comparecer em Belo Horizonte no dia 17/10/2016. Resolvi otimizar o percurso e iniciar por São Paulo, revendo parentes queridos e assistindo a dois shows na Pauliceia Desvairada. Ingressos comprados com antecedência de sete meses, o concerto do Andrea Bocelli na Allianz Arena foi magnífico. O único ponto negativo foi a inclusão lamentável da cantora Paula Fernandes. Além da timidez vocal já conhecida em suas interpretações, a brasileira falhou num solo e se intimidou num duo com o astro principal, interrompendo a sua participação. Só não foi pior porque Bocelli teve presença de espírito e sozinho encheu o estádio com o seu vozeirão.

Aproveitando a presença em São Paulo, fomos ao Theatro Municipal paulistano e assistimos à ópera Elektra, de Richard Strauss, uma adaptação da peça escrita pelo poeta Hugo Von Hofmannsthal. Recriada a narrativa do mito grego de Elektra, a obra trata da volta de Agamenon a Micenas, após a vitória em Tróia. Não foi recebido no palácio real como herói, pois encontrou a mulher Clitemnestra com o amante Egisto e acabou assassinado pelos dois. A filha, Elektra, não descansou até vingá-lo com a ajuda do irmão Orestes.

O espetáculo superou as minhas expectativas. A montagem lembra os filmes de Bergman e Lars von Trier, com seus personagens complexos e angustiados. Protagonizada pela soprano Eva mJohansson (Elektra), coadjuvada pelo barítono Johmi Steinberg (Orestes), dentre outros, além de setenta e quatro cantores do Coro Lírico Municipal de SP e da Orquestra Sinfônica Municipal de SP, sob a regência de Eduardo Strausser.

O fim de semana nas Alterosas, um reencontro com antigos e caríssimos amigos, também propiciou um passeio inesquecível ao Instituto Inhotim, em Brumadinho. Inhotim abriga um relevante acervo da arte contemporânea, num museu ao ar livre, o maior da América Latina, ao longo dos seus mais de 20 km². Lá podemos descobrir um local paradisíaco, mesclando a exuberância da natureza com a inspiração de artistas plásticos nacionais e estrangeiros.

Idealizado e concebido na década de 80, foi uma propriedade privada até 2006, quando Bernardo de Mello Paz abriu ao público seu acervo de arte e uma coleção botânica com espécies raras de todos os continentes. Desenvolvendo atividades educativas e sociais para idades diversas, hoje é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) atuando como propulsora do desenvolvimento humano sustentável.

O parque, muito bem cuidado em todos os aspectos, traz momentos de reflexão aos visitantes. O apoio de jovens atendentes, simpáticos e gentis, alguns portadores de necessidades especiais, valoriza a visita. Os carrinhos elétricos circulam com enorme frequência, viabilizando o tráfego entre os diversos galpões, lagos, jardins e atrações em geral.

Em suma, trata-se de experiência única, impositiva para quem ama a natureza e aprecia as artes. Num dia se consegue conhecer as principais atrações do local. Contudo, o ideal é disponibilizar o fim de semana completo. Vale demais o investimento. Será um passeio inesquecível, diferente de qualquer coisa conhecida.

A audiência em BH? Não houve acordo.


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