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Reminiscências de infância

alexandre-12-anos

Mais um Dia das Crianças se aproxima e as redes sociais costumam estampar as fotos de criança dos seus participantes. Os espíritos de porco já se apressaram a alertar que o próximo feriado é o de Finados, sugerindo ao pessoal buscar fotos relativas ao evento. Duplo equívoco dessa gente do contra e de mal com a vida. Primeiro ao optar pela morbidez em lugar do bom humor. Segundo, o próximo feriado é o Dia das Bruxas. Com certeza haverá muitas homenagens a essa gente sem eira nem beira.

Interessante como esse movimento de perfis temporários resgata imagens tão especiais de adultos sisudos e compenetrados. Os semblantes infantis oferecem uma purificação às pessoas, uma plástica de ampulheta, um retorno efêmero às origens e a tempos com menores preocupações. Uma época em geral mais feliz.

Só ao observar as expressões suaves, com raras exceções que apenas confirmam a regra, podemos enxergar a leveza do momento. Comparando as fotos daquele período com as de agora, vemos muito além das óbvias mudanças físicas. As personagens transparecem um misto de fragilidade com brilho nos olhos, quase traduzindo uma enorme força interior.

Talvez esse poder se explique pelas fartas doses de perguntas da boneca de pano Emília; dos enfrentamentos do National Kid; de cada boa noite da família Walton; dos tremeliques de nariz da Feiticeira; do piscar de olhos da Jeannie; de suspense dos Invasores e do Fugitivo; enfim de Batman, Super-Homem, Bat Masterson, Perdidos no Espaço, Bonanza, Maverick, Homem de Virgínia, etc.

Acrescentem-se diversas doses de muitos carrinhos de roda de bilha ladeira abaixo; futebol descalço no paralelepípedo; subir e descer de árvore; comer frutas arrancadas no galho; banhos de rio, tanque e mangueira; bafo-bafo; bola de gude; pião; etc.

O resultado são os sorrisos de felicidade nos rostos das crianças da minha geração.

Esse pessoal que recomenda procurar fotos para o Dia de Finados, não tem fotos com sorrisos de infância feliz assim. Pertence a outras gerações.

Simples, não é?


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