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Rio 2016: sucesso organizacional, fracasso competitivo.

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A poeira assentou, a vida volta ao normal. Esperamos que não volte à rotina.

Torcemos demais nas Paralimpíadas por um melhor desempenho, depois que os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro terminaram. Mais uma vez, foram pífios os resultados obtidos pelos atletas brasileiros ao sediarmos dois eventos dessa magnitude. É inconcebível para um país de dimensões continentais, cuja população numerosa esbanja talentos permeados por todas as raças da fantástica miscigenação brasileira. Somos tenazes, persistentes, perseverantes como tantos outros povos, mas em geral eles estão à nossa frente no esporte olímpico. As nossas raras conquistas chegam emolduradas por um quê de heroísmo, decoradas por um rosário de problemas superados para vencer e um ufanismo desmedido e improdutivo.

A China sediou as Olimpíadas de 2008 e aproveitou para investir pesado num espetacular programa de formação e de treinamento, fomentando uma legião de medalhistas. Para 2016, o Brasil se esmerou em atender às exigências do COI para garantir a realização do evento. O governo municipal envidou todos os esforços possíveis e imagináveis para vencer esse desafio mundial, deixando como legado modernos equipamentos esportivos e urbanos para a população carioca. O governo federal abriu os cofres para atender as demandas e concentrou verbas estratosféricas em obras.

A atenção aos atletas brasileiros não respeitou a mesma proporção. Repetem-se histórias de superação e de sofrimento de pessoas humildes nos mais distantes lugarejos do país. A mídia parece se reabastecer com esses fenômenos sociais, com exceções apenas confirmatórias de nossa posição de figurantes com pouca expressão. As mulheres, conforme atestam os índices de comitês olímpicos exitosos no exterior, merecem maior dotação orçamentária. Da mesma forma, já ficou patente a necessidade de especialização das modalidades apoiadas, focando naquelas de melhor desempenho no esporte nacional. O Reino Unido, por exemplo, não investe em vôlei ou em basquete, por entender não ser sua expertise.

Institucionalizar o esporte com centros de formação de alto rendimento, a exemplo do vôlei em Saquarema, parece indicar um caminho de sucesso. Por outro lado, a escolha de esportes recém-acolhidos no portfólio olímpico, casos do surfe e do skate, por exemplo, sugere uma alternativa inteligente, disparando na frente dos demais.

Enfim, o novo ciclo olímpico já começou. Quem está com significativo atraso e deixou escapar a chance de sediar os Jogos, nosso caso, não tem o direito de perder tempo.

Se é justo comemorar o sucesso dos eventos, há muito pouco a festejar nos resultados esportivos.

https://youtu.be/qyGW8TG2YWs


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