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Vida

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Quando morre um amigo, um parente, um ente querido, um animal de estimação, tomados pela consternação, sentimos o coração mergulhar em profunda tristeza. Há quem diga ser egoísta a reação de perda irreparável, considerando o fato de muitas vezes o desenlace representar o alívio de dores e de sofrimento atroz de quem se vai. Pouco importa. A agrura da separação irreversível nos castiga de forma cruel e só quem vive isso pode avaliar com precisão.

Quando uma celebridade falece, principalmente com um desfecho abrupto e trágico, a projeção se expande para milhões de admiradores, fãs anônimos, mas fiéis seguidores dos passos do ídolo em suas atuações, em redes sociais e em qualquer outra possibilidade de acesso, fugaz, pessoal ou à distância. O sentimento coletivo pode até parecer mais forte, pela impossibilidade de contato aumentar a idolatria e embaçar a ainda mais a lucidez nesses momentos.

Ao envelhecermos, a exemplo de tudo na vida, temos prós e contras. Apresentamos restrições de ordem física e entramos num processo de isolamento gradual, ocasionado pelos afastamentos compulsórios de filhos e pelas perdas inevitáveis de entes queridos, de amigos e de conhecidos. Por outro lado, a experiência costuma trazer alentos importantes. A sabedoria da vivência se mostra uma aliada inestimável, apaziguando o coração num saudável refrigério para a alma.

Em paralelo, a ignorância é uma benção, diz o filósofo, uma benção profunda. Segundo sua filosofia, a sabedoria nos faz mais descrentes, mais covardes, mais receosos do que pode ocorrer diante de tantos perigos no dia a dia. Por paradoxal que pareça, precisamos viver intensamente, sorvendo de cada momento o fluído da vida a saciar a sede permanente de viver mais e mais.

Venho praticando essa receita simples faz tempo, por um motivo singelo: não sei até quando será permitido esse privilégio para mim. Hoje almoço com caríssimos amigos de infância e de escola, pessoas muito queridas com quem convivo há mais de cinquenta anos. Não sei como será, nem tenho certeza de quantos estarão presentes. Porém, estou convicto de mais uma maravilhosa experiência. Insisti muito para esse encontro, realizado todo mês. Esse, muito em especial, por ser outra comemoração aos meus sessenta anos, completados há uma semana.

É inadiável amar a vida acima de qualquer coisa; amar de verdade a quem se ama, sem pudor e sem medo, dizer EU TE AMO quantas vezes for possível; beijar os filhos com frequência; abraçar bem apertado os amigos queridos; sorrir aos infortúnios; gargalhar dos sucessos; enfim, não desperdiçar um minuto sequer dessa curta e preciosa passagem por aqui.

Vamos em frente, porque a felicidade está nos pequenos detalhes desse projeto chamado vida, não na conclusão do mesmo.


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