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Modalidade Paternidade

Medalha Pierre de Coubertin

A paternidade, mais do que um processo natural e instintivo, tem uma aura enigmática e misteriosa. Antes do exame de DNA, a sempre glamourosa maternidade era um fato, deixando para a paternidade a categoria de hipótese. Além disso, séculos a fio evidenciaram a rigidez paterna diante da ascendência masculina. Num mundo até bem pouco tempo sob a égide de ampla predominância patriarcal, inexplicáveis nuances aproximaram temperamentos hostis, enquanto relações estreitas de toda uma vida foram afastadas por energias dissonantes num piscar de olhos.

Há também laços mantidos frouxos pela frieza permanente, tendendo a se desfazer com facilidade quando menos se espera. Demonstram traiçoeiras frestas existentes em imensos portões do tempo, pelas quais penetra em fração de segundos a escuridão do desentendimento. Passa-se uma vida inteira construindo, tijolo a tijolo, estruturas colossais passíveis de sobreviver a eras. De forma sorrateira e dissimulada, uma explosão inesperada e oportunista as reduz a pó.

Em tempos de Olimpíadas, é como se nos preparássemos para um revezamento permanente em muitos ciclos olímpicos da paternidade e, num átimo de segundo, víssemos escapulir entre as braçadas na água revolta a felicidade do pódio mais alto. A diferença pode estar num atraso na reação para o mergulho, num descompasso na sincronização das pernadas, numa falha na respiração ou na dosagem de cada volta na piscina, por ansiedade, receio ou preocupação, a mais ou a menos.

Eternos atletas do coração, da alma, da mente, o exercício da paternidade requer altíssimo rendimento. Não por acaso se trata de delegação direta dos deuses do Olimpo, exigindo o máximo dos escolhidos. Os pais se esgotam a cada prova, se extenuam a cada desafio, se gratificando pelo reconhecimento e pelo retorno. Espécie de concepção humana, impossível inexistir deslizes em prática de tamanha exigência. Inflexível, o maior juiz dos mortais, o Tempo, não perdoa. A História, entretanto, aprecia a regularidade, a tenacidade, a dedicação.

E, nessa maratona da vida, as loucuras da intransigência se travestem de padre irlandês para obstruir o melhor desempenho da paternidade. É quando vem a História, cunhando medalhas celestiais de mérito olímpico existencial. Nelas, a efígie do Pierre de Coubertin dá lugar ao Grande Arquiteto do Universo, Juiz dos juízes, Presidente de todos os comitês e resenhas, Corregedor dos tempos. E Grão Mestre em Paternidade.

Por todos esses motivos e outros tantos, é para esses eleitos pelo Olimpo e para Ele, em especial, a minha saudação de um Feliz Dia dos Pais.

 


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