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Rio 2016

 

Rio 2016

Em recuperação de uma cirurgia, mudei meus hábitos e permaneço mais restrito em relação à movimentação. Muita leitura, muitos filmes, muita música de todos os gêneros. Mas em especial muito esporte, em homenagem aos Jogos Olímpicos. A propósito desse clima olímpico, de diversidade étnica e cultural, impera no ambiente das delegações o otimismo típico dessas grandes competições. Hoje bem cedo, na rotineira maratona televisiva, ouvi uma frase marcante do velejador Marcelo Ferreira, medalhista olímpico em três oportunidades, duas de ouro: “O pessimista reclama dos ventos, o otimista ajusta as velas”.  Uma definição digna do lugar mais alto do pódio.

Às vésperas da abertura do evento esportivo mundial mais importante, de um congraçamento singular de nações com diferenças extremas, ainda há uma torcida contra o sucesso. Em meio ao noticiário dramático do mundo em geral e do Brasil em particular, a Vila Olímpica no Rio de Janeiro virou um oásis. Há quase perfeição nesse fragmento carioca de um mundo ideal, onde convivem em plena harmonia os biotipos diferentes, as religiões diversas, as culturas distintas, os idiomas misturados. Imprescindível trazer para a alma da cidade esse espírito altaneiro e positivo.

A natureza nos favoreceu com a moldura mais espetacular para um acontecimento desse nível. Nenhuma arquitetura, seja a dos equipamentos montados no Rio ou em qualquer outra cidade-sede até hoje, se equipara às imagens paradisíacas da Cidade Maravilhosa. O brasileiro precisa se despojar do amargor dos últimos tempos, fruto de malversações e distanciamentos sucessivos de nossos governantes, em escala municipal, estadual e federal. Não aproveitamos o momento certo de reação ostensiva à realização do evento. Ao contrário, embarcamos no “oba oba” das comemorações pela escolha do Rio de Janeiro pelo Comitê Olímpico Internacional. Tanto quanto não nos opusemos de verdade, desde então, às intervenções estruturais efetuadas na cidade.

Agora, a hora é de se aproveitar da melhor maneira possível a inspiração da reunião mundial em nossa casa. Legados urbanos devem ser aprimorados e usufruídos, interferências no dia a dia, refletidas por obstruções no trânsito e nos hábitos dos cidadãos comuns, precisam ser contornadas e compreendidas. Estou certo de que há críticos ácidos com ingressos comprados ou ganhos, bem como ranzinzas colados na TV para torcer desde a primeira competição. Deixemos a hipocrisia para os governantes. O rancor político, a cobrança desmedida, o fel instilado a cada gesto, esses não podem ofuscar as reconhecidas hospitalidade e generosidade brasileiras, em última análise, cariocas.

A torcida deve ser para o máximo acerto, para o sucesso dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Não nos deixemos contaminar pela filosofia do “quanto pior melhor”, prática mesquinha da politicagem daninha com a qual lidamos há décadas. Não repitamos os revolucionários de 1970, que só torceram pela seleção na final contra os italianos. Vamos lavar a roupa suja em casa, após o evento, com o devido rigor. E fazer valer a nossa vontade votando melhor.

Boa sorte, Rio de Janeiro! Boa sorte, Brasil!

 


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