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O canto das sereias

Povo brasileiro

Vivo com uma forte impressão, diria quase certeza, de que há algo muito grave para ocorrer no Brasil. As instituições estão desacreditadas, os políticos corrompidos, as grandes empresas cúmplices e a população prejudicada de forma irreversível. Os escândalos se sucedem com profusão e abrangência tão significativas que não há a menor perspectiva de mudar esse quadro dantesco. Hoje os acusadores são os indiciados de ontem e amanhã poucos restarão livres do rigor da lei, se ele for aplicado com isenção.

Em meio a essa deterioração da moral e da ética no trato com a coisa pública, entram em cena os artistas de expressão nacional, cruzamento de um suposto talento com a generosidade do público. Porém, eles gritam apenas quando está em risco o seu interesse direto na divisão do butim. Estrelas de novelas, teatros e de cinema, além de cantores milionários se apressam a defender a manutenção de verbas destinadas ao seu enriquecimento pessoal, sob o argumento de desenvolverem a cultura.

Enquanto isso, escolas e universidades públicas são destroçadas, muitas delas virando polos de invasões apelidadas de ocupações, palcos de destruições e roubos oportunistas. E não se viu um apoio de artistas à educação. Como não se observou sequer um arremedo de revolta de artistas contra os desmandos de um governo usurpador do erário, das empresas estatais e dos fundos de pensão. Também não se verificou um movimento de repúdio à degradação da saúde e da segurança públicas, contra o desvio de bilhões para outros países, enfim, reagindo ao sucateamento do país numa crise insuportável com onze milhões de desempregados e quebradeira generalizada.

E a população brasileira, enganada todo o tempo por todos, sem exceção, a quem recorre? Às urnas? Não deve, ou melhor, não pode. As eletrônicas já demonstraram não ser confiáveis e de qualquer uma sai o que se sabe. E então, o que faz o sofrido povo brasileiro? Assustado com um mar revolto e implacável, exausto de lutar contra as ondas e empurrado contra as rochas imperturbáveis da política corrompida, contra os corais da imoralidade cortante. De fundo musical o canto das sereias travestidas de artistas integrantes da “esquerda caviar”.

O povo precisa acordar. Governo após governo, a merda é a mesma, só mudam as moscas. Geração após geração de brasileiros, a história permanece inalterada. Pouco importa o protagonista, esquerda, centro ou direita. As mentiras e os erros se repetem, assim como os responsáveis pelo pagamento da conta: sempre somos nós. Os antagonistas se enfrentam com voracidade, objetivando manter suas vantagens milionárias. Afinal, os filhos dos seus filhos, os netos dos seus netos merecem as mesmas tetas da pátria mãe gentil.

À plebe cada vez mais ignara, maioria da população, sobra escutar o rádio e cantar as músicas, assistir TV e se dopar de novelas, pretendendo comidas, roupas e móveis dos galãs. Durante os comerciais, aproveitem para se lembrar do palhaço doente e o imitem, reclamando: só dói quando rio.


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