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Sobre Moro e Muros

Moro

O dia 17 de março virou emblemático para a política nacional. Não pelos acontecimentos de hoje, evidente. Em 17/03/2014, coordenada pelo juiz Sérgio Moro de Curitiba/PR era deflagrada a Operação Lava Jato, com a prisão do doleiro Alberto Youssef. De lá para cá as revelações escabrosas dessa investigação inédita viraram o país de cabeça para baixo. A Lava Jato expôs as entranhas de um sistema corrupto, capilarizado por todo o governo, pelos empreiteiros, por funcionários de estatais, pelos políticos em geral.

Sempre se soube que “dormia a pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”. Mas jamais se teve tanta certeza como após o início das investigações, ao testemunharmos a nojeira estampada pela mídia em geral nesses vinte e quatro meses. Nunca antes na história do Brasil se viu tanta falta de decoro, tanta incompetência, tanta vilania, tanto descaso com a coisa pública.                                                                                                                                                                                   Depois de dois anos, completados hoje, as investigações desnudaram falcatruas e mostraram a verdadeira cara de um governo, indignando a Nação e transformando o Brasil num barril, ou melhor, num paiol repleto de pólvora. O povo saiu da acomodação, da resignação e passou a usar as ruas para se manifestar contra a corrupção, a falta de ética, a bandalheira. Dia sim e outro também surgem escândalos, manobras inescrupulosas, um verdadeiro esquema criminoso para validar as ações governamentais. O único objetivo é o da perpetuação do projeto político no poder, do enriquecimento ilícito, da concessão de privilégios a grupos patrocinadores desse esquema articulado em gabinetes.

É absurdo se chamar de republicanos os diálogos intramuros de próceres do governo, cheios de palavrões e de sugestões ilegais, pressões e desqualificações a poderes diversos da república. O foco dos interlocutores: obstar as investigações em curso, fazendo pressão e agredindo a quem está zelando pela moralidade. Falar em desrespeito à Constituição chega a ser risível, em especial quando vindo de quem a desrespeita desde os tempos de guerrilheira, no momento usando de subterfúgios e da força do poder. Tomara que o esclarecimento do grampo seja tão rígido quanto os esclarecimentos do que já vem sendo investigado faz tempo.

O maior deslize que um governante pode ter é confundir a voz rouca das ruas com a algaravia de alguns. Será que alguém, além de quem escreveu o discurso, sabe o que significa algaravia? Algaravia é linguagem confusa, confusão de vozes, coisa difícil de perceber. Não foi o que vimos nas ruas de TODO o Brasil nos últimos dias. Representado por milhões de pessoas em TODAS as capitais, em mais de 500 cidades, o povo deixou claro o seu descontentamento com as tramoias perpetradas por agentes governamentais, empresários e parceiros desse esquema. Só o tempo, aquele denominado “o senhor da razão” pelo desafeto antigo dessa gente e atual aliado, Collor de Mello, trará as respostas.

Se derrubada a liminar que suspendeu a nomeação e na prática empossado mesmo, Lula triplex, pois tem dois mandatos de presidente e iniciará o terceiro, vai precisar explicar muita coisa ainda. A Jararaca virou Ratinho, lembrando a famosa dupla. De nada valerá, como restou comprovado pelas gravações, se esconder debaixo da saia, ou melhor, das calças da Dilma. Ela precisará se explicar também. O povo está vigilante e espera a devida isenção do poder judiciário. Estaremos atentos e atuando, essa a verdadeira democracia. A claque de sanduíches de mortadela e benesses é um estalo se comparada aos muitos megatons da bomba chamada de algaravia pelos cegos e surdos no poder.

Pegando carona nas palavras do economista Sérgio Besserman Vianna, “com a radicalização dos últimos dias a única certeza é que o Brasil vai ficar mais maduro. Resta saber se maduro será o adjetivo ou o nome próprio”.

A conferir.

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