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C’est la vie

Moog-and Keith Emerson (1)

Ando nostálgico. Bastante, diga-se de passagem. Venho perdendo referências importantes na minha vida nos últimos anos. Amigos próximos e queridos, parentes muito especiais, ídolos em áreas diferentes de atuação. A sensação de fim próximo desestabiliza e tortura. Não tenho medo da morte, com ela convivo desde cedo, perdendo entes preciosos na minha existência, pai, avós, esposa, tios e outros. Aprendi a não temer o inexorável, pois morreremos todos, mais dia menos dia. De qualquer forma, o confronto com a nefasta no tabuleiro de xadrez não me agrada desde 1956, ano do meu nascimento e do filme de Bergman, “O sétimo selo”.

Tudo bem e nada presta, diria um sábio de botequim, pois contra os fatos não há argumentos. Passam muitas almas em todas as datas riscadas na folhinha, hábito dos mais antigos, portanto cultivado por mim. O Homem faz a chamada e ninguém pode responder presente por outro. Em qualquer tempo, com a idade tenra, avançada ou nem nascido, o dedo de Deus corre a pauta e chegou a hora, não tem jeito, não há com quem reclamar. Mas o critério de escolha vem me incomodando. Tantos corruptos, ladrões e canalhas nesse mundo, no Brasil conhecemos muitos. Aí o Arquiteto os poupa e indica para a Maldita quem Ele quer. Sacanagem.

Nem vou falar das perdas do meu relacionamento próximo. Para afastar a hipótese de benefício pessoal e específico, vou falar de celebridades. Afinal, nepotismo nesse caso não faz o menor sentido. Outro dia mesmo o David Bowie respondeu à malfadada chamada. Nem bem me recuperei da perda e num mesmo dia levam o Naná Vasconcelos, o mago da percussão mundial, e o George Martin, o quinto Beatle, corresponsável pela existência do grupo. E pelas carreiras solo, por consequência.

Estava respirando fundo, meio tonto, tentando me refazer da rasteira divina, e logo me informam, em perfect english, brittish english: Keith Emerson (1944 – 2016) – We regret to announce that Keith Emerson died last night at his home in Santa Monica, Los Angeles, aged 71. We ask that the family’s privacy and grief be respected.

Um dos mais geniais tecladistas do rock, vemos um jovem Keith Emerson na foto acima. O senhor ao lado dele na foto é Robert Moog, o inventor do revolucionário sintetizador eletrônico. Acompanhei o E do ELP a partir da banda The Nice, com o inesquecível disco “The Thoughts of Emerlist Davjack”. Isso foi antes da fama com Greg Lake e Carl Palmer. Keith, que também pode ser citado como um dos fundadores do rock progressivo, tocou seus acordes magníficos em vários momentos da minha vida, desde a minha pós-adolescência.

Acordei hoje com o teclado de Keith Emerson soando na cabeça. Despertei ao som de The Thoughts of Emerlist Davjack e de Rondo, ambos da estreia no vinil; Tarkus e o trecho da abertura do “60 minutos de música contemporânea”, meu programa diário das 15:00/16:00 na rádio JB FM. Conheci muito de rock naquele antológico programa, em tempos sem PC, sem Internet, sem downloads. Ouvia as dicas e comprava LPs importados na Billboard e na Modern Sound.

Jerusalem e a sonoridade dos coros de igreja nas naves serenas; Take a pebble e Lucky Man, esse o que fui naqueles tempos dourados sem sequer perceber; From the beginning, uma pérola melódica; Fanfare for the common man, de Copland, num arranjo encorpado; e a minha preferida, C’est la vie, muita harmonia e poesia, como “In the night, do you light a lover’s fire, do the ashes of desire for you remain”.

Dá um tempo, Chefia!

Ou comece a dar prioridade a quem não presta, com todo o respeito.

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