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Arte na alma

IMG_2116                                                                  Foto: Denise Guerchon

Tenho arte na alma, sou uma alma da arte, possuído pela eternidade das melodias, pelas rimas históricas em qualquer idioma, pelas esculturas magníficas, pelos quadros deslumbrantes. No seu ofício de nos encantar, a delicadeza dos artistas me faz um bem supremo, me traz uma alegria incomparável, me garante uma felicidade escolhida.

Garimpo eventos com a angústia dos restritos pelo dinheiro, sacrificando tantos em benefício dos possíveis, os eleitos pela minha duríssima seleção. Vencida essa etapa de agonia, o prazer vem com o saborear de cada momento dos espetáculos. Confesso mergulhar nas emoções com facilidade, talvez por me deixar envolver pelo clima e pela magia do mundo artístico.

Nessa fase da vida a sensibilidade se evidencia. Não raro me emociono com os solos mais geniais de guitarra, com os acordes precisos das orquestras, com as notas impossíveis alcançadas por cantores, com os textos reproduzidos pelos atores, com as cópias da vida em obras de arte mais interessantes do que a realidade. Não me preocupo em disfarçar as lágrimas furtivas, pois também contêm sentimentos como os dos responsáveis pela minha contemplação.

Há alguns dias, estive no Centro Cultural dos Correios, espaço do qual me orgulho muito por ter ajudado a adequar para eventos dessa natureza desde 1990. Foi durante a minha gestão à frente dos Correios do estado que a empresa entregou aquela área de cultivo cultural ao Rio de Janeiro. Imaginem a satisfação de presenciar um espetáculo ali. Pois potencializem a minha emoção ao ter o privilégio de ver no palco o maestro João Carlos Coutinho ao piano e a cantriz Alessandra Maestrini no microfone.

As Cantrizes RJ Alessandra Maestrini  (32)                                                                        Foto: Rafael Lemos

Numa série muito especial, Cantrizes, apresentando dia a dia artistas fabulosas como Sandra Pêra, Zezé Motta, Layla Garin e outras, escolhi a Alessandra para revisitar aquele teatro. E fui muito feliz na opção. A grande intérprete brindou o público com uma noite incrível, cantando em português, em inglês e em francês, versões suas para um idioma e para outro, até declamando um poema de sua autoria.

O show “Drama ’n jazz”, título do disco, teve um repertório muito bem cuidado, de gosto refinado e eclético. O clímax foi a interpretação magistral de “Papa can you hear me”, homenageando Marília Pêra e Selma Reis. A apresentação foi interrompida pela emoção da Alessandra e levou a plateia às lágrimas, eu inclusive. Enfim, estivemos num show excelente, para ser revisto. Enquanto não puder, vou me deliciando com o CD comprado na hora e devidamente autografado, com direito a foto.

Falando em fotos, esse texto não teria tal registro sem a gentileza da Denise Guerchon, que se sentou à minha frente e a meu pedido enviou as fotos, pois eu estava sem o meu celular. E ainda no quesito cortesia, um agradecimento muito especial à Maria José Cardoso, colega dos meus tempos de Correios, com quem encontrei no evento e me enviou também fotos do Rafael Lemos, da produção do show. “Zezé” faz parte da equipe mantenedora daquele espaço, um trabalho digno de efusivos aplausos.

Hoje, ao encerrar o assunto, sou obrigado a fazer uma reverência, menção póstuma a um dos expoentes da música, um camaleão do rock que tornou mais felizes muitos momentos da minha vida. Ziggy Stardust, meus sinceros agradecimentos por sua obra. Sai de cena em definitivo o David Robert Jones e agora brilhará de forma muito mais intensa o David Bowie. Mais do que nunca.

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