Home » Textos » Merecemos a extinção?

Categorias

Arquivo do Site

Merecemos a extinção?

homem vitruviano2 (Mobile)

O ano em seus estertores e eu aqui pensando com os meus botões. O que nos reservaria 2016? O que de pior poderia ocorrer? De início, a medida do tempo não me agrada muito, seus padrões me parecem inexatos. Einstein tem muito mais propriedade nesse assunto e deixo para ele a defesa conceitual. No que me diz respeito, a velocidade aparente mostra essa dicotomia de algo passar mais rápido ou mais devagar, dependendo das circunstâncias.

Pedidos eu teria muitos, desejos ardentes ou prioridades, porém não importaria muito. Em geral, minha impressão de uma humanidade não dando certo acaba com qualquer lógica nas projeções. As manchetes dão conta de descalabros estratosféricos, as pessoas perderam a menor noção de dignidade, de respeito ao ser humano, de amor ao próximo, enfim, da semelhança mais estreita com um protótipo cujo recall já passou da hora de ser feito. Somos um produto mal acabado, uma espécie cuja extinção talvez não fosse suficiente para punir tantas imperfeições.

Não escondo ter dúvidas na fundamentação ao escutar um concerto de Vivaldi, apreciar uma tela de Renoir, admirar uma escultura de Rodin, ler uma obra de Gabo, assistir um filme de Fellini. Mas as arestas de cubos mal polidos, nos quais esbarro e me machuco ao longo da caminhada me retornam à reflexão. São raros os movimentos de solidariedade, os gestos de compaixão, as atitudes de boa vontade. Não satisfeitos em dizimar a nós mesmos, de forma ostensiva ou gradual, exterminamos outras espécies, eliminamos seres imprescindíveis à nossa existência, aniquilamos o meio ambiente.

Quem somos, de onde viemos, para onde vamos? Talvez a única razão de buscarmos essas respostas resida apenas no fato de querermos entender a origem e o propósito de uma história cujo epílogo desconhecemos ainda, mas se delineia desfavorável sob qualquer aspecto. Nosso desfecho se dará de maneira visceral, caótica, massacrante. Num quadro, seria o Inferno de Dante; em música, teria os acordes soturnos do heavy metal; em livro, folhearia o Decameron.

A raça humana perdeu a razão de existir, ratificam os atentados covardes, as intolerâncias, a maldade, a desfaçatez de todos. Os governantes somos nós, os legisladores somos nós, o Estado Islâmico somos nós, os terroristas somos nós, a humanidade somos nós, somos um projeto falido, exaurido a cada século vivido, a cada guerra, a cada atrocidade em menor ou maior escala.

Passando ontem na Av. Atlântica, ao final da tarde, olhando para aquele maravilhoso cenário, me perguntei como podemos maltratar tanto uma natureza tão especial. Recebemos uma obra prima pronta, irretocável em sua perfeição e retribuímos com selvageria, agressividade, corrupção, descaso, omissão, desleixo, pelo simples instinto de destruir. É como se entrássemos numa sala de prima donas num museu multiversal e as atacássemos com navalhadas, piche e lança-chamas. Nós, os bárbaros disfarçados.

E o que posso desejar para essa contagem temporal falsa, a mudar de dígito como quem limpa o fio da espada do sangue das vítimas, escolhidas com ou sem preconceito de cor, raça ou credo? Olhar para o firmamento e crer na existência de uma sabedoria superior, divindade ou alienígena, sequiosa para o justiçamento em forma de dilúvio, meteoro ou lava?

Afinal, há alguma chance de se reverter esse quadro dantesco? Se houver, é o que desejo a todos nós. O resto é detalhe, afora o fato de estarmos vivos.

Sem ironia, FELIZ 2016!

[youtube]https://youtu.be/9KxzuY0fJ-s[/youtube]


Leave a comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *