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Meu prezado Renato

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Meu prezado Renato, Peninha para os mais próximos, Assurbanipal para alguns, Assurba para os mais chegados. Como vai, Mermão? Lembrei muito de você no seu aniversário, data de infeliz coincidência. Falando nisso, começo a escrever e ecoa o Ten Years After nas minhas caixas com “I’d love to change the world”. Para ouvir a voz do Alvin Lee, que se mandou pelos idos de 2013, pouco depois de você. É uma rádio, portanto não foi minha escolha a música. Não existe coincidência nesse mundo ainda precisando mudar muito, parceiro.

De início, quero dizer da saudade do amigo. Fazem muita falta as nossas resenhas, nossos
papos intermináveis, a permanente troca de informações sobre política, religião, futebol, música, em especial o bom e velho rock & roll. É impossível escutar um solo do Eric Clapton ou do Steve Hacket, a bateria do Keith Moon, o baixo de John Entwistle, a voz do Jon Anderson ou do Robert Plant, as letras de Lennon e McCartney sem lembrar de você, beatlemaníaco e amante do genuíno rock em geral.

Depois que você deu um perdido na gente, as pedras rolaram muito por aqui. Para pior, meu caro. O governo continua roubando e explorando o povo, como sempre. O tal do PT, partido do povo e para o povo, aumentou de maneira alarmante a sede de propinas. Entra presidente sai presidente, quem manda é o mesmo. Mente-se descaradamente para a população, políticos são comprados e vendidos, empossam ministros condenados, uma farra. E acredite, Assurba, o descalabro é tamanho que esculacharam até a Petrobras. De tal forma que a gigante mundial do petróleo está no canto do ringue encurralada por um Muhamad Ali nos melhores tempos. Soa o gongo, parece que a agonia acabará e em seguida novo gongo, novo assalto, nova surpresa, muitos golpes no fígado. Respeitando a miscigenação tupiniquim, o escândalo é protagonizado por Youssef, Cerveró, Duque, Zé e o escambau. O tal do Cerveró é um personagem sombrio, que olha para a casa do caralho e para a puta que pariu ao mesmo tempo. Uma imagem de tirar o sono até do Predador.

Na religião, a guerra santa anda explodindo o mundo, sempre quando menos se espera. Sob a chancela de defender leis proféticas, ensandecidos se espalham pelo orbe como cavaleiros do apocalipse ensanguentando mesquitas, igrejas, templos de toda a natureza. Não há local específico. Pode ser um mercado judeu na França, uma lanchonete na Austrália, enfim, o sabor do terror tem nuances bastante heterogêneas e próprias. Está cada vez mais complexo o cenário. Pior do que isso só as ruas do Rio, onde não há terrorismo internacional porque não precisamos de concorrência. Em duas semanas, tivemos dez mortes por balas perdidas. E a presidente dessa bagunça chamada Brasil intercede junto ao presidente da Indonésia para impedir a execução de um traficante brasileiro preso por lá. Engraçado o comportamento de anões diplomáticos. Lembra o “Rato que ruge” do Woody Allen. Mandaram a bala de
recordação para a presunçosa.

Ainda no assunto execuções e drogas, no antigo ópio do povo, seguindo o carma catastrófico brasileiro, fomos executados em plena terra brasilis. Acredite, malandragem, levamos um impiedoso 7 x 1 dos chucrutes em meio a pães de queijo, feijão tropeiro e milhões de uaisgemidos por esse Brasil varonil. A reputação da pátria de chuteiras jamais será a mesma depois daquela humilhação inédita para a amarelinha do velho Lobo. O Maracanazo de 1950 virou café com leite diante da vergonha nas Alterosas. Enganaram e engalanaram o país de norte a sul, de leste a oeste, gastaram bilhões, enriqueceram os de praxe e a seleção nacional sequer jogou no Maracanã. Foi estuprada em casa, escorraçada da Copa no Mineirão.

É, parceiro, o bicho está solto. Agora falta água e falta luz, num calor de fazer inveja aos beduínos e seus camelos. Você não merecia isso, mesmo. Nós não merecemos. Muito menos a saudade que sentimos de você. Eu adoraria mudar o mundo. Um grande abraço.

P.S.: Não se esqueça de dar um beijo na Márcia, por favor. Diz que fui eu que pedi. Valeu.

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