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O bambu e a samambaia

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Há algum tempo entrei numa pequena loja e, enquanto o atendente se levantou para colher informações e fazer um orçamento, observei um texto sob o vidro de sua mesa. Comecei a ler e me interessei tanto que pedi licença ao rapaz para concluir a leitura antes de continuarmos com a negociação.

Sou avesso a livros de autoajuda e, por conseguinte, aos textos com esse viés. Mas, de alguma forma aquelas palavras me tocaram. Ontem revisitei um local no qual sempre encontrei paz e equilíbrio, mesmo em momentos turbulentos e cruciais da minha vida. Trata-se de uma propriedade de um grande amigo do meu tio, um sítio em Fragoso, pouco antes de Miguel Pereira. Um verdadeiro oásis de natureza plena e virgem, não muito longe do Rio de Janeiro.

Sempre fiz caminhadas no bosque do sítio, porém me vejo impedido no momento em razão de um problema na perna. Andei pouco, somente para atender o meu compromisso espiritual, até uma gruta onde elevo meu pensamento ao Grande Arquiteto do Universo. Lá costumo pedir apoio para continuar a caminhada mais árdua, a da vida. Em seguida fui convencido e rever o bambuzal, pouco adiante, acompanhando minha octogenária mãe e outras duas mulheres, a anfitriã e a minha companheira.

Ao chegar lá fiquei magnetizado pelo gigantismo dos bambus. Se já os conhecera em outras oportunidades, agora estavam muito mais altos. De imediato eles me remeteram ao texto que li e reproduzo a seguir.

Certo dia, decidi me dar por vencido. Renunciei ao meu trabalho, às minhas relações e à minha fé. Resolvi desistir até da minha vida. Dirigi-me a um bosque para ter uma conversa com Deus. Eu perguntei:

– Seria possível me dar uma boa razão para não entregar os pontos?

A resposta me surpreendeu:

– Olhe ao seu redor. Você está vendo a samambaia e o bambu?

– Sim, estou vendo.

– Pois bem, quando semeei a samambaia e o bambu, cuidei deles muito bem. Não lhes deixei faltar água nem luz. A samambaia cresceu rapidamente e seu verde brilhante cobriu o solo. Contudo, da semente do bambu nada florescia. Apesar disso, não desisti do bambu. No segundo ano a samambaia cresceu ainda mais viçosa, enquanto da semente do bambu nada surgia. Mas, não desisti do bambu. No terceiro e no quarto ano a situação persistiu. No quinto ano um pequeno broto surgiu da terra semeada com o bambu. Comparado com a beleza da samambaia era muito modesto, até insignificante. Seis meses depois, o bambu chegou a mais de cinquenta metros de altura. Ele ficara cinco anos afundando suas raízes, que o tornaram forte e lhe deram o necessário para sobreviver e alcançar aquele magnífico porte. A nenhuma criatura faria um desafio que ela não pudesse superar.

E, concluindo com maior essência:

– Sabia que, durante todo esse tempo de suas lutas, você estava criando raízes? Eu jamais desistiria do bambu e nunca desistiria de você. Não se compare aos outros. O bambu foi criado com uma finalidade diferente da samambaia e ambos existem para tornar o bosque mais bonito. Seu tempo vai chegar, você ainda crescerá muito.

– Quanto tenho de crescer?

– Tão alto quanto o bambu.

Deduzi que deveria ser tão alto quanto pudesse, quanto as minhas raízes permitissem.

Nunca desista de si mesmo, não se arrependa de um dia de sua vida. Os bons dias lhe trazem felicidade, os dias ruins lhe dão experiência. Ambas são essenciais à vida.  A felicidade lhe energiza; os problemas lhe mantêm forte; as punições lhe mantêm humano; as quedas lhe mantêm humilde; os êxitos lhe mantêm otimista; mas só a perseverança lhe mantém caminhando.

À perseverança dê o nome que você quiser.

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