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Avohai

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É inegável a falta que nos faz um pai, em todos os aspectos. Os meninos perdem a referência, as meninas perdem o amparo, a casa perde a figura masculina do equilíbrio de forças. Há, é claro, as exceções de pais contraproducentes, desagregadores, omissos, ausentes mesmo quando estão em casa. Mas eles só  confirmam a regra.

Cresci numa família matriarcal, sob forte influência de mulheres com personalidade marcante e participação efetiva nas decisões, numa época em que o feminismo ainda era embrionário. Embora preparadas para rainhas do lar, as mulheres da minha família eram diferentes da maioria esmagadora..

Convivi, assim, com um ambiente ponderado entre as figuras masculinas e femininas, amalgamando lógica e sentimento numa receita harmonizada. As mulheres eram partícipes de todos os processos e os homens cozinhavam e colaboravam com outras tarefas domésticas. Nem por isso foram menos homens.
Apesar de terem sido muito valiosos na minha formação como ser humano, perdi meus avôs materno e paterno, esse último meu padrinho, muito cedo, ainda adolescente. Meu pai faleceu aos quarenta e um anos, dezessete anos a menos dos que completarei em setembro, no mesmo dia em que ele aniversariava e comemorava o aniversário de casamento. O tempo nos prega essas peças em seus lapsos históricos.
Foi um desenlace bastante precoce. Ele não viu o meu crescimento como homem, minhas conquistas profissionais, a construção da minha família, os netos, nada disso. Em paralelo, faltaram para mim a sua experiência de vida, sua visão inteligente e invulgar de enxergar o mundo. Ficaram só as lembranças de seu profissionalismo e retidão, dos seus gostos refinados para beber e comer, para a música, para o vestir, afora caprichos e manias herdados pelo primogênito.

Houve outras figuras importantes a preencher a lacuna paterna, como o meu tio caçula, um extra-série que me promoveu a compadre aos quinze anos através de sua primeira filha, um grande amigo preservado até hoje..Ou um primo mais afastado, de quem virei compadre um pouco mais tarde, também pela primeira filha dele. Ambos pérolas de seres humanos, duas inteligências muito acima da média.

Dedico esse Dia dos Pais também a todos eles, avô-pai, tio-pai, irmão-pai, mãe-pai. Alexandre, filho de Dario, porém a morte do general em campo de batalha alçou ao posto de mais valente guerreira uma delicada e frágil Lourdes. A partir de então contei com uma mulher sábia e corajosa ao meu lado, minha amiga e confidente, minha mestra na vida e minha orientadora principal.

A ela devo quase tudo o que sou, a começar do sopro de vida, dado em cumplicidade com o seu amor Dario, que foi tão novo a ponto de não me permitir chamá-lo de “velho”. O que não me impediu de lembrar dele em todos os meus passos importantes e de tê-lo comigo não só nos meus genes, mas em minha memória. Mesmo que os meus filhos não o tenham conhecido.O seu velho e invisível Avohai.

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