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Fórmula antiga

Voto agrilhoado

“Quando não há, entre os homens, liberdade de pensamento, não há liberdade”  (Voltaire)

O homem só é livre quando pode escolher seus caminhos sem restrições. Apesar de todo homem ser livre desde que nasce, pode estar preso a grilhões sociais que o privem de parte de sua liberdade e o tornem escravo de senhores oportunistas. A palavra “livre”, oriunda do latim, representa estar liberto de qualquer condição, constrangimento, subordinação, dependência ou encargo. O desafio maior é se libertar desses jugos. A condição de livre reside na total liberdade de ação, sem qualquer restrição legal e moral. Essa liberdade propicia se fazer ou pensar o que se queira, se ir e vir para/de qualquer parte, quando e como se pretenda, significa exercer a atividade escolhida, tudo conforme a livre determinação da pessoa, respeitadas as leis estabelecidas para a sociedade em geral.

Em tempos idos, os homens deixavam de ser livres pelo voto de cabresto controlado pelos coronéis em toda parte. Os cativos eram mantidos em troca de dentaduras, ligaduras de trompa, transporte no dia da eleição e outros escambos sociais. Escolher os governantes recebendo uma remuneração velada, abrindo mão da opção pessoal pelos ditames de quem pagava, aprisionava as almas dos infelizes. Favores menores do que a certeza de melhor alternativa se sobrepunham à moral e a honra de cada um. Eram vampiros, zumbis a vagarem por um mundo corrompido, onde falava mais alto a influência de quem exercia o poder na região e não queria perdê-lo.

Pois vou contar uma história que considerei uma lenda urbana criada pela oposição ao governo atual, dessas postagens em mídias sociais a se transformarem em verdade depois da repercussão gigantesca da internet. Pensava ser a tal da mentira repetida tantas vezes quantas necessárias para virarem fatos. Conversando com um amigo em vias de se aposentar e dono de uma pequena fazenda em Minas Gerais, para a qual se desloca nos fins de semana. Segundo ele, agora é época da colheita do café. Se não o fizer, as chuvas levarão os grãos de café para as margens dos rios e inutilizarão o produto. Diante da ameaça, foi obrigado a buscar no mercado local os trabalhadores para a empreitada e está encontrando sérias dificuldades. Na vizinhança, onde trabalhavam 350 pessoas, há apenas 120 contratados no momento. Por quê? Porque os demais 230 optaram por receber a Bolsa Família ao invés de trabalhar.

Um dos entrevistados pelo meu desesperado amigo disse a ele que só aceitaria trabalhar de terça a quinta-feira. Às segundas e sextas-feiras o convidado precisava estar em casa para atender o fiscal do governo que fiscaliza a presença do beneficiado pelo programa Bolsa Família. “Doutô, não posso largar essa boquinha. É um dinheiro fácil que essa muié boa dá pra gente. Além disso, ela mandô fazer a minha casa, com sala, dois quartos, banheiro e cozinha. Meu telhado tem madeira boa para não dar bicho. Bastou eu conseguir o terreno e em pouco tempo me entregaram a casinha. Vou pagar R$ 250,00/ano por quatro anos e acaba a dívida. A casinha vai me custar R$ 1.000,00. Na minha família somos quatro no “Bolsa”. Todo mundo vota nela. Ninguém tem dúvida”.

Não vou nem falar no auxílio-reclusão e em outros. Aí cabe a pergunta: para que trabalhar? Para que escolher em quem votar? Restabelecido e institucionalizado o voto de cabresto na versão do governo atual. Diminuiu a mão de obra produtiva, qual o problema? Aumentou a vagabundagem, qual o problema? Está garantida a reeleição. Só não é perfeito o plano para nós, que bancamos essa e outras farras. A “casinha” custa R$ 35 mil aos cofres do governo que paga a empreiteiros certamente escolhidos com extremo critério. Os R$ 34 mil que fecham essa conta por cada “casinha” são pagos pelos contribuintes. Não foi um achado do governo? A “muié” é muito boazinha, né? Se perpetua no poder às custas do nosso suado dinheirinho. Fórmula antiga, usada pelos “coronéis” quando os governantes de hoje faziam oposição selvagem.

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