Home » Textos » Os tempos são outros

Categorias

Arquivo do Site

Os tempos são outros

Malevola desenhoMalevola foto 3

Os tempos são outros, a vida muda a cada segundo. Até nos contos de fada o enredo se repagina, tirando a bruxa do lado negro da força. Na Copa do Mundo, o Grupo da Morte tem três campeãs mundiais e, em duas rodadas, a Costa Rica está classificada com duas vitórias. Em paralelo, a Inglaterra voltará para casa abraçada à tetracampeã Itália ou ao eterno fantasma do Maracanazo, o Uruguai. Sem falar na atual campeã, a Fúria, rebatizada de Dilma Roja de Raiva. Em sua sanha midiática, ela determinou: ao invés de me mandarem tomar caju, me chamem de Espanha e me eliminem no primeiro turno.

Por coincidência ou não, vivemos numa época em que as pragas urbanas deixaramo papel coadjuvante de apenas transmissoras de doenças. Convivemos com baratas de saia e fala grossa avançando não só em lixo e dejetos, mas degustando caviar e bebendo Moet et Chandon; ratos de terno e gravata destroem instituições governamentais como nunca antes nesse país; piolhos se mostram mais interessados em roubar as nossas ideias do que em passear nos cabelos revoltos e mal cuidados; cupins trocaram o sabor da madeira de lei pelo mel provado na batida de martelo da lei distorcida. Até páginas de nossa felicidade sofrem o ataque de traças invejosas dos nossos melhores capítulos.

Lembrei-me da parceria Cazuza/Frejat e dos versos de Malandragem: “Eu só peço a Deus um pouco de malandragem, pois sou criança e não conheço a verdade. Eu sou poeta e não aprendi a amar”. Poucos sabem que essa música foi escrita para ser interpretada pela Ângela RoRo, que se recusou a gravá-la por considerá-la fraca. Sua sucessora no desafio foi a Cássia Eller. A irrequieta tímida, além de despontar na carreira com a composição, fez sucesso estrondoso em três discos com arranjos distintos da música. Outra letra mais que atual do poeta Agenor de Miranda Araújo Neto, conforme as listas de chamada do meu saudoso Colégio Santo Inácio.

Depois de tanto tempo, “quem sabe ainda sou um garotinho, esperando o ônibus da escola, sozinho, cansado com as minhas meias três quartos”. O elástico da injustiça já apertou tanto as minhas pernas que as batatas assaram abaixo dos joelhos antes mesmo de se esparramarem pelo chão. A surpresa foi descobrir que, na verdade, batatinhas quando nascem espalham a rama pelo chão. Tarde demais, é tempo de olhar para trás, de ver mais pelo retrovisor do que adiante.

Melhor aproveitar a paisagem e desfrutar da viagem. Deixar a vida me levar, ditado pelo pagode do Jessé de Del Castilho, cujo sucesso transformou em Zeca Pagodinho. Afinal, os Camarões dormirão para a onda levar e nem será necessário colocar o nome deles na macumba. Nossos laterais “caxumba”, pois são um perigo quando descem, vão nos ajudar na vitória. A derrota deixaremos para os políticos, nas urnas em outubro. Em resposta às dentaduras eleitoreiras, às famigeradas bolsas família encabrestando o voto do povo, usaremos a rima da “Boca sem dentes” do Almir Guineto: “você zombou de mim, só fez me aborrecer, sinceramente eu hei de lhe ver sofrer”.

 [youtube]http://youtu.be/bFRBQjBuQmo[/youtube]

 


Leave a comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *