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A grande pensadora contemporânea

Prova DF

O que esperar de uma sociedade cujo absurdo sucesso na música popular apregoa “Bateu de frente é só tiro, porrada e bomba”? Poderia citar outros fenómenos musicais do passado para melhor ilustrar o tema, mas prefiro poupar a todos desse sacrifício, inclusive a mim mesmo. Há uma indústria de fazer sucesso cuja preocupação é modelar o dialeto das ruas, não importa o conteúdo. Ou melhor, há um conteúdo doentio, canalha, cretino, beligerante. Pronto, está completa a fórmula mágica do sucesso. Falou em “bonde”, “tiro”, “bomba”, “inimigo” e se consegue atrair uma sociedade cooptada pelos jargões do crime.

Há até garotas da classe “A” buscando o glamour dos delinquentes. Sobem o morro para participarem de bailes funks onde os traficantes promovem a selecção de seus haréns. A partir de então, elas assumem o papel de coadjuvantes num enredo de pouco romance e muito masoquismo. São usadas como objetos de decoração e, por vezes, como escudos humanos. Não raro, viram manchete das páginas policiais, como vítimas ou cúmplices. Que pai almeja esse destino para uma filha? Por mais inconsequente, desatento, irresponsável mesmo na educação da filha, me soa doloroso demais. Um preço muito caro.

Não me julgo puritano nem conservador. Considero que nossas crianças não podem ser criadas num caldo de cultura em que meninas de dois, três anos de idade rebolam com movimentos sensuais, enquanto os pais acham bonitinho. Os meninos não podem ter como heróis os marginais que traficam as drogas que eles consumirão mais tarde. Não podem só pensar em jogar futebol na Europa. Estamos na contramão e ninguém reage. Ao contrário, liga-se a TV na Ana Maria Braga ou no Faustão e se assiste aos recordistas globais mexendo suas carcaças desgastadas ao som da funkeira com um aleijão de silicone no corpo e no nome. Ou seja, trata-se da apologia a um modelo desfigurado física e moralmente, durante o dia, em TV aberta e por líderes de audiência.

Aonde vai essa juventude? A um estágio pior do que nos encontramos hoje, fruto de quase nenhum investimento em educação, cultura, conhecimento. O semear do passado nos castiga hoje em dia com uma realidade danosa, lamentável, prejudicial aos valores mais preciosos. Não tenho a presunção de esperar que jovens cedam seus assentos no metrô aos idosos ou se prontifiquem a abrir portas para mulheres, a dar a vez em filas, etc. Meu desejo, diria esperança, seria encontrar mais adiante uma sociedade melhor constituída em todos os aspectos. Porém, como cogitar melhoria num país tão fragilizado em seus conceitos morais se isso não emergir do povo a permear seus diversos níveis?

Antes dos paladinos dos direitos se pronunciarem, nada contra as mulheres, as louras ou as popozudas. Nem me incomoda o fato da protagonista ser chamada de “grande pensadora contemporânea”, como preferiu o professor Antonio Kubitschek ao aplicar a prova numa escola estadual de Brasília. O preconceito nos dias atuais protege os reacionários, funciona meio ao contrário. O meu incômodo vem com a disseminação de uma filosofia de vida incompatível com um futuro melhor para nossos filhos e netos. Basta o que já tivemos até agora, pelas ruas, pelas escolas, pelos hospitais, pelos quartéis, pelos gabinetes, pelas urnas. Chega de Bundões.

P.S.: Esse post de hoje é em homenagem a uma outra suposta pensadora contemporânea, que vive espalhando seu linguajar xiita pelo facebook, defendendo o indefensável. Agora ameaça com processo quem fala a verdade que tanto incomoda essa gente. Inclusive eu. E ela faz parte da minha família. Lamentável. Quando ela estiver velha e decrépita, o partido amado, idolatrado, salve, salve vai ajudá-la a morrer com seus ideais.

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