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O estupro da humanidade

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Estudo realizado pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revelou que 42,7% da população concorda totalmente que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas” e 22,4% concordam parcialmente com a afirmação. E 35,3% concordam totalmente que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”. Outros 23,2% concordam parcialmente.

Mais do que aterradora, essa visão desfocada demonstra a miopia da população, a ótica turvada pela desinformação, pela falta de educação. As maciças doses de alienação impostas por governo após governo, agrilhoando ignorantes sob o jugo impiedoso das malditas gorjetas sociais. O coronelismo, as laqueaduras, as dentaduras, o transporte no dia de eleição, o tíquete do leite do Sarney, as bolsas do PT e tudo o mais que ainda virá num engodo eleitoreiro imobilizam a mente do povo e se refletem nessas espantosas pesquisas.

Há muito mais sob os tapetes majestosos da República. O tiro pela culatra da indicação do Ministro Joaquim, os desdobramentos do Mensalão, petista e agora peessedebista, choram marias e clarices com as pesquisas dessa pátria mãe gentil. Os assaques diários contra a ética e a moral são muito mais estimulantes a uma reação do que as roupas insinuantes das meninas e mulheres estupradas. E ninguém faz coisa alguma, senão bater palmas para macacos dançarem.

Estupra corpo e alma rever o Geneton entrevistar o General Newton Cruz com o seu indefectível olhar de ódio a reafirmar seus conceitos da cartilha do “prendo e arrebento”. Chega a chocar a convicção do general ao defender suas atitudes autoritárias, agressivas e absurdas. Os arremedos de reação atual, esboçando o resgate da marcha da família e clamando pela volta da ditadura militar, traduzem a mesma ignorância à qual o povo está relegado. Só uma nação de pobres de espírito, que esses poucos representam, poderia cogitar por essa solução.

Enquanto isso bate à nossa porta da frente uma brisa de humanismo, um frescor reenergizante entalhado nas obras do Ron Mueck. O que teriam em comum as esculturas do australiano com o andar da prosa? As expressões humanas em situações diferentes, a certeza da velhice, o talho sangrando no homem do povo, a esperança dos jovens, o depenar do frango que se confunde conosco, o esforço da mulher em criar, prover e cuidar. Estão juntos e misturados os sentimentos efervescentes do ser humano, suas dores e seu fatalismo.

E a trilha musical desse cenário toca a música do Yanni, num show memorável aqui no Rio, do outro lado da rua onde estão os gigantes e as miniaturas do Mueck. Num paralelo à visão macro e microscópica que reverbera na obra do escultor australiano, um homem que veio do nada para nos dizer tudo sobre nossa essência, o músico grego encerra sua apresentação com uma reflexão sobre a visão do cosmos. Yanni terminou o show lembrando a constatação dos astronautas ao verem a Terra do espaço sideral. Olhando de lá, ao contrário dos mapas alienantes, de interesses políticos e desfocados, não há fronteiras traçadas no planeta.

É verdade. Somos todos e um ao mesmo tempo. Precisamos unir forças, cerrar fileiras, reagir contra os algozes. Eles falam idiomas diferentes, mas querem a mesma coisa. Em resumo, desejam usurpar as riquezas, inobstante isso signifique a extinção de nossa espécie, de um jeito ou de outro. O cenário à nossa volta, a exuberância da natureza terrestre e humana, está despido aos olhos desses estupradores da humanidade. E eles julgam razoável atacar o que se lhes insinua, geração após geração. Estamos perdendo a guerra, uma batalha de cada vez, dia após dia. O fim será inexorável.

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