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A ex-quadrilha da fumaça

STF 2

Infiltrados no poder judiciário como fumaça entre frestas de portas, os mensaleiros jogaram no lixo o julgamento anterior. Começaram a atenuar as penas que foram impostas aos escroques que planejaram se apoderar do país. Planejaram se apoderar? O tempo costuma trabalhar em looping, nos impondo uma espécie de déjà vu. Voltam à mente as grandes revoluções da história, nas quais só um banho de sangue resolveu a situação de um jeito ou de outro.

Inevitável confundir o hino brasileiro com La Marseillaise, ao constatar no momento uma perspectiva fratricida, uma alternativa sangrenta, bastando entender os ecos indignados das ruas. Não os ecos remunerados por outros interesses nem os ecos lastreados pelos que já estão encastelados no poder, mas os ecos do verdadeiro anseio popular. A pátria mãe faz tempo que dorme, acorda e dorme outra vez para voltar a acordar não mais distraída, ao contrário, percebendo claramente estar subtraída em tenebrosas transações em todos os níveis.

Chegará o dia em que os ludibriados, pelo canto da sereia ou por qualquer outro crustáceo populista, neocapitalista e assemelhados, buscarão a reparação por suas próprias mãos. E não vai demorar muito, pois já eclodem manifestações quase diárias. Só os ladrões de galinhas, os que roubam para matar a fome, são punidos de forma exemplar. A impunidade está espraiada pelos poderes constituídos.

Financiados pelo dinheiro do povo, os ratos de dois pés comem uma tonelada e meia de queijo no Palácio do Planalto, fazem turismo político na Europa na primeira classe, onde se hospedam e comem em cinco das estrelas estampadas em nossa bandeira. As castas dessa gente se renovam. Pais, filhos, netos, nomes e sobrenomes da mais chula política assaltam a riqueza desse país governo após governo.

O povo, agrilhoado por um sistema bolsista de dependência escravocrata, morre nos corredores de hospitais imundos, nas ruas das capitais descontroladas, nas salas das escolas abandonadas, nas barrigas das mães impúberes. Enquanto os políticos cortam os céus do país para implantes de cabelo e rega-bofes com lagosta e caviar, o povo cata as migalhas caídas das muralhas e tenta saciar a fome dos seus.

Há uma insaciável sede dos partidos pelo saque dos cofres públicos, assumida quase de forma ostensiva, com a tranquilidade inabalável do acobertar permanente das classes dominantes. É uma duradoura ação entre amigos, com regras estabelecidas e conluio evidente. Porém, o povo já nem está mais tão ordeiro. A indignação vem tomando conta das esquinas, menos em Brasília, onde as esquinas inexistem.

Os braços estão levantando, o brasileiro está cansado de tudo isso. Não há um governante que saia pobre do mandato. Antes, essa constatação era disfarçada pelo passado mais elitizado dos ocupantes das funções mais importantes. Depois do falso operário sair rico do poder, enriquecendo também seus parentes mais próximos, a máscara caiu de vez. Há um clima de revolta nas conversas de bar, nas resenhas de futebol, nas praias, nas ruas de todas as cidades.

Precisamos nos acautelar porque o momento pode ensejar outros reflexos menos desejáveis. A sanha pela divisão do butim pode levar a consequências imprevisíveis. A hora é de reflexão e cuidado. Muito cuidado. Mas, o país precisa entrar em estado de alerta. E quem diz isso é o presidente do Supremo Tribunal Federal, antes mesmo de mais três substituições nos quadros do tribunal. Em breve não teremos mais placares apertados, teremos goleadas no STF.

Pois bem, quando tanta gente não confia no executivo, tampouco no legislativo e muito menos no judiciário, qual a diferença para uma ditadura? Enquanto isso a corrupção, a impunidade, a violência, a insegurança e o caos só aumentam em todas as cidades. Sinto cheiro de pólvora no ar.

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