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Viajandão

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Já li uma vez que um blog seria um diário eletrônico. Não consigo me ver escrevendo “Meu querido diário”, como me acostumei a acompanhar as confidências da Luluzinha nos gibis da minha infância. Também não me proponho a entrar sorrateiramente na tela dos computadores dos amigos, como entrava o Fantasma por uma passagem secreta na sede da Patrulha da Selva. Na condição de Comandante, o Dr Walker, ou o “Espírito que anda”, assim deixava suas mensagens solicitando providências. Os tambores da tribo de pigmeus Bandar também ecoavam no entorno da Caverna da Caveira, dando recados importantes, até mesmo alertas de emergência. A imitação dos animais da selva, hoje degenerada pelo racismo nos estádios, permitia conversas secretas entre o Tarzan e o seu exercito em fauna. Também se comunicavam, mas por sinais de fumaça, os apaches, cheyennes, cherokees, comanches, moicanos, navajos, pés pretos, sioux e outros que habitavam as terras americanas antes da colonização pelo homem branco. As nuvens artificiais precisavam ser interpretadas pelo Durango Kid, pelo Roy Rogers, pelo Zorro(Lone Ranger), pelo Hopalong Cassidy, pelo tenente Rip Masters, pelo cabo Rusty e tantos outros heróis do meu tempo de criança. O telégrafo avisava ao Bat Masterson, ao Wyatt Earp, ao xerife Matt Dillon, todos do tempo das diligências. O Mandrake pedia que o Lothar levasse e trouxesse suas correspondências, um esquema semelhante ao do Batman e do Robin, Besouro Verde e Kato, sem qualquer suposto preconceito.

Uma época de imaginário ilimitado, de conversas intermináveis com colegas e namoradas invisíveis. O ambiente, um quarto com pinturas a óleo retratando com perfeição os personagens da Disney, obra de um talentoso artista, grande amigo do meu pai. A atmosfera era especial e favorável para os mergulhos nos quadrinhos da Ebal(Editora Brasil América), nos Livros da Juventude(Reader’s Digest) e nas coleções de Monteiro Lobato, Júlio Verne, Jorge Amado, devorados nessa ordem. Foram incríveis as projeções de Verne, ainda no século dezenove, ao criar o submarino Nautilus do Capitão Nemo. Invejável a imaginação do Alex Raymond ao criar foguetes e armas de raios em 1933 para o Flash Gordon, só para concorrer com o Buck Rogers criado em 1928 pelo Philip Nowlan.

A TV era um invento idolatrado, uma revolução espetacular após o rádio. Lembro de fatos com a clareza do que enxergo nesse instante. A comoção com a morte de John Kennedy, que eu soube pela TV ao chegar da escola, no primeiro ano primário. Os duelos do capa e espada Falcão Negro, interpretado pelo Gilberto Martinho. Não descansei enquanto não ganhei a fantasia com o falcão bordado na altura do coração. E, para melhorar, era rubro-negra a roupa. A estreia da TV Globo em 1965 me deixou ansioso por semanas, olhando diariamente horas a fio para aquele símbolo de TV fora do ar, impensável nos preciosos segundos televisivos dos dias de hoje. Aguardei minuto a minuto um seriado do Super-Homem dos anos 50, em preto e branco, protagonizado pelo ator George Reeves, um sujeito barrigudo que voava graças a efeitos especiais ridículos comparados aos de hoje. Quase coincidência de sobrenomes com o Reeve do Christopher que notabilizou o mesmo super-heroi no cinema e morreu tetraplégico em razão de uma queda de cavalo.

O Capitão Furacão, de quem eu fui grumete porque obriguei meu pai a comprar as calças Fjord. Eu queria demais conhecer a Elisângela, a deusa dos meus sonhos eróticos infantis. Podem acreditar, essa baranga das novelas de agora já foi uma mulher muito interessante. Depois vieram as Aventuras Submarinas com o Loyd Bridges, pai do Beau e do Jeff Bridges; Bat Masterson com o Gene Barry; o Zorro do Don Diego de La Vega, com o Guy Williams.

Resenha FACIT

Os primeiros VTs de futebol e a Grande Resenha Facit, com o Armando Nogueira, o Nelson Rodrigues, o João Saldanha, o José Maria Scassa e o Vitorino Vieira, mediados pelo Luiz Mendes. Enfim, gibis, livros e TV com celebridades fictícias e de carne e osso.  Romantismo e nostalgia à parte, nada se compara à internet, à sua velocidade, seu alcance, seu poder nas mídias sociais, sua amplitude nos blogs, sua interatividade com as pessoas. Seus sinais universais são espetaculares. Poderosa a sua participação na integração e na desintegração da sociedade. Nada se compara à Web, para o bem ou para o mal.

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