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O caos se aproxima

A caminho do caos

A beligerância está aumentando em todos os níveis. A violência, sua irmã siamesa, faz parte cada vez mais integrante da vida das grandes cidades. Os representantes do Estado nos roubam tranquilidade à luz do dia, a paciência à tarde, a luz à noite e o sono de madrugada. Afora as dificuldades costumeiras dos brasileiros em geral, se estendem os privilégios das máfias políticas estabelecidas há tempos. As tutelas do poder passam de pai para filho, de candidato para candidato, de partido para partido. Só não há mudança na manutenção dos domínios da sanha de sangrar nossos já combalidos recursos.

Os escândalos de corrupção se espraiam pelas esferas governamentais, sem distinção de partido. Todos, sem exceção, se envolvem em práticas vergonhosas, em escândalos absurdos, cada qual defendendo uma agenda específica e de interesse próprio, muito diferente do benefício à população. Quem está no poder quer se perpetuar, quem não está busca retomá-lo. As dificuldades dos brasileiros aumentam enquanto se rouba em licitações públicas de forma ostensiva, em todo o território nacional, desviando verbas da saúde, da educação, da segurança, enfim, de todos os direitos previstos para os cidadãos e pagos pelos impostos

As surpresas ficam por conta da alienação de alguns grupos cujo foco parece o conflito pelo conflito e o desvio deliberado e inconsequente dos mais significativos alvos do clamor popular. O enfrentamento da autoridade, mal preparada para esse tipo de manifestação por uma questão cultural, se transformou numa barbárie com tendência a um extremo incontrolável. Em paralelo, ao tempo em que se martirizam jornalistas e eventuais passantes, os responsáveis por essas distorções sociais continuam encastelados em suas mordomias asseguradas, acima do bem e do mal. Proliferam os sorrisos nas entrevistas dos políticos, o otimismo falso, os números maquiados, as viagens patrocinadas pelo nosso dinheiro, as farras com os recursos cuja aplicação deveria ser a melhoria de nossa qualidade de vida.

Haverá o momento em que o povo se revoltará de forma organizada, desprovido de outra finalidade senão a de resgatar seus direitos. Inclusive os que acreditaram em cantos de sereias importantes no cenário político, que o tempo se encarregou de desconstruir. Hoje se misturam no mesmo lodo os líderes da oposição radical de outrora com os saqueadores que àquela ocasião estavam no poder. Não há o menor resquício de ética ou moral, se prostituíram pelos mesmos motivos e usufruem das benesses de uma riqueza acumulada em tempo recorde, inexplicável e incompatível com a remuneração legal.

As pessoas andam mais nervosas, acuadas em seu estado de debilidade psicológica, física e financeira. Sofrem em decorrência da falência do sistema de saúde e de educação; da desestrutura e do despreparo da área de segurança; do desinteresse dos governantes em mudar o cenário lastimável de nossas instituições mais valiosas. Não havendo educação, saúde, segurança, emprego, o povo se vê órfão, impelido a reagir. Por uma índole pacífica, o brasileiro tem suportado calado há muitas décadas.

Precisamos de muita calma nessa hora, sob pena de mergulharmos no caos. No momento, o caldeirão começa a entrar em ebulição. Há entretanto uma grande ameaça na participação de grupos radicais e nefastos, infiltrados em meio aos manifestantes apenas para tumultuar e dar vazão a traumas particulares ou interesses escusos. Esses baderneiros colocam em risco a marcha democrática pelo restabelecimento da justiça social nesse país. Não me recordo de ver governantes e políticos em geral tão assustados com as manifestações populares do ano passado. Esses grupos conseguiram desviar a atenção das demandas principais, enfraquecer os movimentos pacíficos, açodar e fortalecer a repressão. A quem eles interessam, afinal?

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