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Feliz Tempo Novo

Feliz Tempo Novo

Gostaria de ter escrito antes, mas as trapaças da sorte preferiram agora, pouco após 20:00 do dia 31/12/2013. Ou melhor, pouco após 19:00, pois estamos no horário de verão e no hemisfério sul, a hora assim se dá em muitos lugares. Também não serão os mesmos parâmetros em outros países, onde já estão em 2014. E diferirão ainda em outros, cuja cultura respeita um calendário distinto do gregoriano. Na verdade, somos os mesmos em cada ponto do orbe, pouco importando o dia, a hora e o evento pasteurizado pela mídia sequiosa de lucros trocados.

Enquanto isso morrem e nascem pessoas, animais, plantas, rios, sonhos, esperanças e projetos. Na hora precisa, nem antes nem depois. O compasso do Grande Arquiteto do Universo não tem ritmo, tem traço apoiado no esquadro de sua visão retilínea. Caminhamos por sendas impróprias, perfeitas ou tortuosas de acordo com os ditames de nossa consciência e das escolhas feitas ao longo do percurso.

A missão está oculta no início da percorrida, muitas vezes por toda a vida não sabemos ao certo as razões de tantos porquês sem resposta. Apenas acordamos e dormimos supondo ser de nosso juízo cada um desses momentos. Logrados por nossas mentes, sequer agradecemos um novo alvorecer, um novo poente, um novo luar. Imaginamos dominar o destino com ações efetivas, com a acomodação ou com a entrega. Ledo engano. Qual os Fla x Flus, clássicos iniciados a quarenta minutos do nada, tudo pode estar escrito há tempos, à frente ou atrás.

As dimensões permanecem inexploradas, os multiversos nos observam por telescópios ou microscópios cujas dioptrias respeitam progressões geométricas de razão ignorada. Façamos o bem, façamos o mal, não há certeza do dia de amanhã, um futuro debilitado por ser mero passado da semana que vem. E comemoramos, muitos com fogos de artifício que atordoam os cães e sua audição aguçada, um reles mudar de dígito como se as eras fossem subjugadas pelas agendas.

Brindamos, bebemos, rimos, choramos, fazemos rituais religiosos, cabalísticos, suspeitos pela superstição das cores vestidas, como se algo ou tudo interferisse no processo da existência. As premissas se desmentem pelo caminho, nas pessoas em evidência num momento e em decadência noutro. E vice-versa. A glória tem efemeridade medida por padrões alternados ao sabor do vento. A felicidade, aquele trem veloz mal parando em suas estações obrigatórias, abraça ao léu e desapega seus seguidores ao seu bel prazer.

Portanto, melhor viver cada momento como se o último fosse, sorrir, beijar, abraçar com intensidade e profusão. Numa fração, num átimo de segundo as coisas mudam, para melhor ou para pior, dependendo do ponto de vista. Somos andarilhos sem destino, veleiros sem porto esmolando pela brisa a enfunar nossos panos de fundo, de prato, de chão. Hoje estamos por baixo, amanhã por cima, pouco importa se o calendário diz que é Ano Novo. Ano Novo vivemos sempre. Os tempos sim, esses mudam inobstante o ano, o mês, o dia e a hora.

Esse texto eu dedico a um querido amigo, um parceiro de longa data, de percurso difícil e imerecido. Pela generosidade resplandecente de seu coração, trata-se de um ser humano especial, um escolhido para enfrentar as ondas mais revoltas, as tempestades mais violentas. Mas, guerreiro incomum, enfrenta seus desafios com bravura e segue a sua vida com a honradez de exceção. Você tem um compromisso maior com uma pérola rara cuja concha a maré mais benevolente lhe presenteou. Meu irmão, meu amigo, meu camarada, estamos juntos. Estaremos misturados mesmo à distância e estarei sempre de pé e à ordem para o que der e vier, respeitando o seu recolhimento, aguardando o seu chamado. Força!

Feliz Tempo Novo!

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