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Boas Festas!

Verão no Rio

Vem chegando o verão, um calor no coração, essa magia colorida, são coisas da vida. Marina mandou muito bem e ficou ainda melhor na sua interpretação com a afinada voz metálica. Seu irmão, o poeta Antonio Cícero, gostaria de ter assinado os versos. A poesia aquece no hemisfério sul a partir de 21 de dezembro. As ondas, as asas delta, o humor, o astral mexem com o ânimo do pessoal que anda à beira-mar. O movimento deixa de ser da natureza pródiga e assume proporções sociais, no andar cadenciado das mulheres de bundinha de fora. Querem proibir o topless declarado na areia, mas há coisas impossíveis de impedir por decreto. Tempestades, tsunamis, desmoronamentos, água de morro abaixo, fogo de morro acima estão aí para comprovar.

Tem mais que não se consegue impedir: corrupção ostensiva, mentiras de candidato, viradas de mesa no futebol, derrotas inesperadas, ejaculação precoce, mulher em shopping. Percebemos o risco, farejamos o cheiro no ar, há diversos indicativos, mas não tem jeito. Viva la vida, ela que segue impassível, mudando a paisagem e as feições. Uma lufada de reflexões harmoniosas acompanha o movimento pendular das folhas indomadas a se libertarem dos galhos possessivos. Antes mesmo do Natal, o solstício de verão sinalizará pela elíptica do Sol a chegada da estação mais alegre das quatro. Os olhos brilham em cores sensíveis; os aromas se confundem com a maresia e os perfumes sensuais; os sabores mexem com o paladar mais exigente; os óleos escorregam no tato exploratório. Vira obrigação perceber o canto dos pássaros, apreciar a beleza das montanhas e aplaudir o pôr do sol.

Nem as agressões oficiais, travestidas de governadores e prefeitos, são capazes de embargar as obras do Grande Arquiteto do Universo, em traços perfeitos e curvas ousadas. Desfrutamos dos segundos com a paciência dos provadores, mastigando a essência das paisagens e assimilando o subproduto de cada momento como se fora o derradeiro. O amor paira em corações simbólicos flechados sobre a cabeça dos amantes, no sorriso extasiado das manhãs pós-gozo. A felicidade se impõe a qualquer preço, não custa nada, está na pele bronzeada, na música agradável, no doce balanço a caminho do mar.

O espírito desarmado abraça a todos. Tudo bem, quase todos. Há os que permanecem à distância, com o inverno nos olhos, quando muito um outono no peito. Para esses a estação não muda o ano inteiro, menos pelo desejo deles e mais pelas contingências da vida. Esperam pelo Natal, com um Papai Noel com vestes de inverno e renas puxando um trenó que só anda na neve. Têm mais esperança no espírito natalino do que nos olhares gelados. Pedem o inalcançável, uma alegria furtiva, inesperada, efêmera. Apenas a certeza de valer a pena seguir em frente. Desacreditam de tudo, são esquivos, dissimulados e insociáveis. Temem o próximo como a si mesmos, estão marcados pelo destino, desconfiam das ofertas institucionais, dos escambos políticos, do que darão em troca, pois pode ser a alma.

Porém, nessas horas o verão os acolhe, a natureza em sua moldura sábia ajuda a derreter as geleiras do desafeto e aquece os corações insensíveis. O sol nasce para todos e democratiza o seu calor. A partir do banho dourado de seus raios, abre-se a perspectiva de algo melhor. Ao entardecer, na proximidade do ocaso, há quem se reúna para reverenciar o espetáculo. A inspiração da profusão de cores se confundindo com o horizonte toca aqueles cuja generosidade divide o excedente. É quando o verão se transforma em milagre e as dádivas pequenas se transformam em noites felizes.

E se uma estrela cadente cruza o céu de repente, nem precisamos crer num anúncio específico ou no prenúncio de uma nova era. Podemos compreender, simplesmente, o percurso dos corpos celestes, há tanto tempo que não conseguimos avaliar com precisão. Se há um artífice da obra e se ainda está na prancheta não sabemos ainda. Talvez saibamos adiante. Contudo, fica a impressão de uma conjunção favorável às mudanças, à melhor distribuição dos sorrisos, ao compartilhamento da felicidade, ao prazer de estar vivo.

Afinal, começou o verão. Eles verão. Um dia verão.

FELIZ NATAL !  QUE 2014 SEJA MELHOR DO QUE 2013 E PIOR DO QUE 2015

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