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O chope do 177 e a volta do Borel

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Encontro CSI 2013 7

Calma, apressados e maldosos. A turma da Conde de Bonfim, 177 não levou uma volta do Morro do Borel. Falo de amigos e de abraços. Abraços representam mais do que contatos físicos, são uma enorme troca de energia, de corações pulsando juntos, de acolhimento de tristezas, de compartilhamento de alegrias, de multiplicação de energia. Apertamos junto ao corpo alguém que queremos bem, pessoas cujo afeto às vezes nos acompanha por uma vida, por outras, quem sabe. Os amigos reenergizam quando precisamos, são reenergizados quando precisam e aparecem quando menos esperamos. Hoje abracei amigos da Conde de Bonfim durante o dia e amigos do Santo Inácio durante a noite. Dormi feliz, realizado, revigorado, com as baterias recarregadas para novos desafios. Resultado de abraços amigos, apertados, fluidificados de uma corrente de força inquebrantável, duradoura, poderosa.

Por um motivo mais forte, meu enfoque será o encontro inaciano. O motivo é o Borel, que nem nasceu no morro tijucano e foi batizado Arthur Gastalho Moreira. Trata-se de um amigo de longa data, inaciano da turma de 1974. Depois de décadas de afastamento, dedicado ao Hare Krishna e aos estudos védicos pelo mundo, o Borel, mestre em yoga, foi o nosso presente antecipado de Natal. O encontro de fim de ano por si só já traria muita alegria. Sempre valeu pela confraternização de grandes amigos e amigas, mantendo por décadas uma união cheia de afeto, de fraternidade e de solidariedade. Dessa vez ficou muito mais especial.

Formamos um grupo amalgamado pelas diferenças e pelas semelhanças, somos um pouco de cada um e muito de todos. E o pedaço do nosso querido Borel nos faltava fazia tempo. Não que todos os quase quarenta colegas presentes estejam num patamar diferente. Ao contrário, cada um contribuiu com o seu brilho especial, sua intensidade de energia, sua parcela de carinho. O Borel virou um caso à parte pelo distanciamento, pela ausência forçada por décadas, nos mantendo saudosos de uma presença marcante, positiva, harmoniosa. Cada um de nós tem luz própria, resplandecemos como estrelas em constelações, na soma de todos as luzes fulguramos com mais importância. Assim, a penumbra da sala vip do Frontera foi clareada pela chegada de um cidadão anônimo que acompanhava o Quiqui, o mentor dessa iluminada iniciativa.

Passados alguns momentos de interrogação, vivemos a incredulidade diante do visitante. Perguntei ao Attilio de quem se tratava. Seria talvez um amigo do Quiqui? Ao identificar o Borel, saltei da cadeira com a desenvoltura dos tempos de escola na hora do recreio. Quando dei por mim estava abraçando o parceiro de antigas jornadas, o sujeito que agora roda o mundo disseminando a milenar cultura indiana, distribuindo a sua fraternidade em doses inacianas. Num abraço cheio de energia, senti o pulsar daquele coração tal qual fôssemos os mesmos meninos de quarenta e sete anos atrás. A satisfação mútua do reencontro emocionou aos dois e, logo em seguida, a todos. A última vez que vira o Borel foi num vestiário do antológico time do Flamengo, no Maracanã, após um jogo no início dos anos 80.

A minha felicidade de estar ontem naquele local cercado de gente querida se potencializou com a presença de um amigo benquisto e ausente por mais de três décadas.  Ele lembrou de histórias hilárias do passado, algumas das quais nem me recordava, como o famoso prêmio Bundal Zolhotal, uma efeméride ginasiana divertidíssima. Criação minha e do Borel, o BZ premiava os “malas do ano”, hoje resgatado com outro nome pelo Xexéo nas páginas de fim de ano do Segundo Caderno do jornal O Globo.

Enfim, conversamos menos do que gostaríamos, pois a noite não poderia ser pautada pelo egoísmo ao não dividir com todos o mesmo prazer. Andei por aqui e acolá, sentando em lugares diferentes e usufruindo da amizade em tons democráticos, como sempre costumo fazer, aproveitando o máximo possível de todos. Estava acompanhado da minha namorada, dublê de intrusa ao chegar e de colega ao término da festa, fruto da habitual hospitalidade inaciana. Compartilhamos daqueles instantes de felicidade, registramos para revê-los e fizemos juras de que os repetiremos em 2014.

O único senão das reuniões de fim de ano é a certeza de sua eventualidade. Por mais que prometamos torná-las freqüentes, a roda viva de nossas vidas acaba por impedir esse desejo. Podem acontecer mudanças com a proximidade da aposentadoria e a melhor avaliação de valores incomensuráveis diante do vil metal. O tempo passa, os cabelos caem, embranquecem ou ambos. Vem chegando uma fase em que as restrições de deslocamentos e o encurtamento das expectativas nos obrigarão a uma aproximação maior. Já nos enxergamos finitos, vimos fugir o viço e a beleza da juventude, ficou mais difícil correr pelos corredores tal qual nos recordamos nos papos desses encontros.

Sou grato ao destino por me permitir dias como esse. Duas reuniões espetaculares na mesma data. À tarde com meus amigos da Tijuca, à noite com os amigos inacianos. Menção honrosa ao Antonio Marcos, incansável organizador dos eventos do Santo Inácio, coração de ouro, alma generosa. Não menos honrosa a menção ao Quiqui, condutor do Borel ao encontro.

Por imposição de uma data de validade desconhecida, porém cada vez mais próxima, precisamos nos ver mais amiúde. Borel foi ontem o símbolo dessa necessidade. Ele não pode nos privar do seu bom humor incomparável, do seu coração fraterno e de sua contagiante alegria. Feliz Natal, tijucanos e inacianos queridos, votos extensivos a todos os demais amigos de outros grupos. E que 2014 nos propicie mais encontros como o de ontem. Eles enxáguam as nossas almas de plena felicidade e nos tornam mais longevos.

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