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Amores diferentes

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Não pensem que passou despercebido. Domingo passado, dia 1º/12, eu teria completado trinta e cinco anos de casado. Preferi não falar no assunto um dia após uma comemoração em casa, pois isso traria uma confrontação inadequada de sentimentos. Optei por um fim de semana ameno, de alegria junto à família, um almoço com os filhos, mãe e namorada. Sim, namorada. A vida nos agride e recompensa indistintamente, não importa quem sejamos ou o que façamos. No mesmo dia em que a ausência de minha querida Márcia se fez marcante, em especial pelo simbolismo da data, a presença de minha querida Valéria me trouxe alento e equilíbrio.

Não foi fácil superar os momentos de profunda tristeza vividos após o dia 27/10/2012. Tive muito apoio da família, meus filhos e minha mãe mais de perto, outros familiares e de amigos verdadeiros, alguns quase irmãos. Mal sabia eu que o destino me proporcionaria a felicidade outra vez, em tão curto espaço de tempo. E nem foi em BH, cidade que me adotou desde fevereiro e onde tenho passado a maior parte do meu tempo desde então. O sol nasceu de novo no Rio, após uma tormenta violenta. Sua luz é mais intensa do que as sombras e os demais astros gravitando no sistema de nossas vidas.

A realidade exige uma reação, a rotina nos impõe ressurgir à tona. Precisamos de oxigênio, de luz, de sons e de amor. Queremos resgatar a perda, mas precisamos seguir em frente, sobretudo em respeito ao todo construído numa longa cumplicidade. A saudade se mantém conosco, nas lembranças felizes e no coração tatuado a prazo infinito. Por sorte ele abre espaços para a renovação, para o renascimento.

De certa forma a inspiração vem desses trinta e quatro anos de intenso amor e paixão incandescente. As lições inesquecíveis e o aprendizado de viver trazem uma sabedoria impossível de adquirir sem o sofrimento. Sou uma pessoa mais completa, mais amadurecida, melhor para se relacionar. Agradeço a você, minha amada Márcia, pelo que passamos juntos, de bom e de ruim, antes e depois da doença, respectivamente. Embora agressiva, ela não nos afastou. Agora você virou minha protetora, minha guia de luz.

Dessa luz surgiu você, Valéria, com quem tenho o privilégio de conviver nesses quase seis meses, tempo para entender a continuidade da vida, apesar de tudo. Seu amor irrestrito e sua entrega me guiaram por um rumo inesperado e carregado de positividade. Não acreditava ser possível, confesso. Minha dor era tamanha a ponto de não permitir qualquer outro sentimento. Você me resgatou de um mar de lágrimas, me abraçou em meio às ondas maiores da tristeza e me encheu os pulmões de um oxigênio milagroso. Massageou o meu coração, fazendo-o pulsar outra vez no ritmo do amor.

Duas valentes mulheres, belas por dentro e por fora, ainda que diferentes, física, intelectual e espiritualmente. Duas histórias distintas, duas inspirações diversas. Márcia, amor primeiro, saudoso e querido, mãe dos meus filhos e dos sonhos de uma vida, dona de uma parte significativa da minha história e do meu coração. Valéria, amor salvador, um sortilégio ainda recente, porém de enorme expectativa de duração. Nesse 06/12/2013 faço então minha homenagem a ambas, cada qual no seu plano.

Pelo 1º/12 e por todos os dias vividos, minha eterna lembrança, Mô.

Por tantos outros dias 6 a se repetirem, minha enorme alegria, Amor.

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