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Feriadão em Sampa

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Que me perdoem os preguiçosos, mas isso aqui é um blog, não um SMS. Portanto, não dá para escrever pouco sobre um fim de semana especialíssimo em São Paulo. Confesso não ter sido boa a minha primeira reação, quando convidado por amigos a viajar para a capital paulista no feriadão. Perguntava a mim mesmo por que sair de BH para SP ao invés de retornar à minha cidade natal, o Rio, reenergizando como todos os fins de semana. Como houve consenso entre os meus amigos mais próximos, resolvi não remar contra a onda, mesmo sendo do rio Pinheiros ou do rio Tietê. Programamos a viagem sem muitas preocupações com os locais a visitar. Algumas sugestões, outras dicas, mas nada muito inflexível.

Chegamos à véspera, Valéria e eu, para um jantar com meus compadres, primos e amigos queridos na noite de quinta-feira. Recebidos com tapete vermelho no belo apartamento do Campo Belo, fizemos uma prévia da degustação luxuosa que teríamos no “Dalva e Dito” do chef Alex Atala. No restaurante do Jardim Paulista, além dos prazeres da alta gastronomia, fomos brindados com a presença gentil e atenciosa do próprio Alex Atala, com quem fizemos questão de posar para uma foto.

A sexta-feira foi repleta. Enquanto parte do grupo desfrutou da hospitalidade do casal César e Ane, a outra parte optou por um passeio. Escolha infeliz de quem queria andar e ver mais, após uma caminhada forçada chegamos ao Pacaembu para a visita ao Museu do Futebol. Passagem obrigatória para quem gosta do esporte, o museu nos proporcionou duas horas e meia de cultura futebolística em dose pura na veia. Na saída, uma passada rápida no “Torcedor”, bar anexo ao estádio Paulo Machado de Carvalho, o grande comandante de 1958. Breve restauração do corpo no hotel Central Park e partimos para o segundo tempo na choperia “Estalagem” em Moema. Muito chope gelado e tira-gostos deliciosos, da polenta frita ao bolinho de bacalhau. Quatorze almas satisfeitas saíram de lá depois de uma da madrugada.

O sábado nos reservava mais felicidade na pauliceia desvairada. Abrimos os trabalhos acolhidos pela van do Toninho, uma simpatia paulista à disposição dos bagunceiros do Rio. Circulamos pela cidade, com escalas na Sé e no Teatro Municipal. Quase me roubaram o Iphone, um malandro de bicicleta enquanto eu fotografava. Mas, carioca cascudo não “dá mole”. Seguimos para o Museu da Língua Portuguesa, porém a fila para o ingresso adiou para outra data. O MLP e a Pinacoteca já estão reservados para o nosso retorno a SP. Resolvemos comer no Mercado Municipal e a escolha recaiu sobre o “Terra e Mar” e seus fabulosos sanduíche de mortadela Ceratti e pastel de bacalhau. Ambos os quitutes com 500 g de sabor inigualável. Os sete sedentos do grupo consumiram cinquenta e seis chopes Heineken. Ou seja, néctar dos deuses bebido e comido. Menção honrosa ao tratamento do garçom Marcos, um orgulhoso torcedor sãopaulino.

Sábado à noite fomos à Bela Vista, ou ao Bixiga, para quem assim preferir. Estivemos na espetacular cantina “Cê que sabe”, um templo sagrado de cinco gerações da famiglia Bruno. Uma espera com degustação marcada pela cortesia do host Adriano, enquanto ele arrumava a mesa para doze lá dentro. O silêncio e a pouca animação ali eram enganosos. Em breve entraríamos num ambiente típico italiano, muito bem decorado e com alegria transbordando nos sorrisos de todos, garçons, maître, gerentes e donos. As bandejas caindo de propósito fazem a marca da informalidade da casa. Parceiros o vinho de primeira, um risoto de frango e aspargo com gorgonzola gratinado, cerveja gelada e a música circulando pelas mesas. O violão napolitano do Serginho e um acordeão alternam com o violão brasileiro do Toninho e o tantan do fantástico Edu. Serginho emocionou cantando, a meu pedido, “Canzone per te” e “Dio como te amo”. Edu arrasou, cantando muito bem “Corcovado”, “Chove chuva” e virando a chave para “New York, New York” num inglês irretocável e com a voz lembrando o velho Frank.

O melhor mesmo foi identificar um irmão, o Victor Bruno, esparramando pela casa a felicidade de ser justo e perfeito. E provou isso numa atitude rara, deixando o seu estabelecimento para levar ao hotel um casal do nosso grupo, em razão de uma de nossas amigas se sentir mal. Chovia muito, não havia táxis e ele pegou seu veículo particular e os conduziu até o hotel. Transpirando os princípios de  igualdade, liberdade e fraternidade, com essa observação eu exemplifico a hospitalidade paulista, caracterizada pelo meu irmão Victor. Que o Grande Arquiteto do Universo mantenha aquela casa, seus patronos e funcionários por muito tempo entre nós. Minha homenagem fraterna ao Bruno no vídeo a seguir. Ele é o de camisa listrada, falando sobre a casa e com o bordão: “Quem não bate palmas na tarantella tem a mamma na zona!”.

Chave de ouro no domingo, com a Feira de Antiguidades, o MASP e o Bassi. Na feira vimos coisas incríveis. No MASP, na mostra “Deuses e Madonas”, encontrei os gênios Modigliani, Rodin, Picasso, Van Gogh, Monet, Rembrandt e outros. Eles só não foram melhores porque não tiveram a Valéria de modelo. Almoçamos divinamente, ela e eu, no Bassi, o templo sagrado da carne, do saudoso artesão da carne, Marcos Guardabassi. Não seria completa a nossa visita paulistana se lá não tivéssemos estado.

Não estou no sambódromo carioca vendo o maior espetáculo da Terra, mas vou incorporar a Leci Brandão em meus agradecimentos.

Obrigado pela sempre linda, amorosa e deliciosa companhia, Valéria.

Obrigado pela acolhida, compadres Roberto, Cecília e minha afilhada Camila,

Obrigado pela companhia, amigos Oscar, Anna, Fernando, Lu, Josefino, Sandra, Paulo, Elane, César e Ane.

Obrigado pela obra, mestres Alex Atala, Victor Bruno e Marcos Bassi (in memorian).

Obrigado pelo indizível, majestosa Sampa, onde morei algum tempo em momentos diferentes e conserva a sua pujança.

É nóis, mano! Seguimos juntos e misturados.

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