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Os oportunistas

foto corrupção

Esse país está tomado por oportunistas. Os que não são ainda não tiveram oportunidade, salvo as honrosas exceções, que ainda bem não são poucas. Rouba-se descaradamente o dinheiro público, usurpa-se o conforto da população, desvia-se verbas destinadas à salvação de vidas e à melhoria da qualidade de vida. Mata-se sem apertar o gatilho, com um singelo enter no computador. As vítimas estão caindo nas injustas filas do INSS, nos corredores dos pavorosos e asquerosos hospitais públicos, nas valas fétidas das grandes cidades, nos acidentes de trânsito por má pavimentação, nos desabamentos de encostas e edifícios sem fiscalização, nos incêndios de prédios condenados mesmo sem vistoria.

A indiferença dos homens públicos se mostra crescente e inacreditável. Fruto da impunidade e da falta de reação do povo acuado no canto do ringue. Somos vencidos pelo cansaço ao tomar tanta pancada no fígado ao longo desses intermináveis assaltos, em ambos os sentidos. Uma luta cuja duração leva décadas, séculos, milênios. Só mudam os agressores e as letras escritas após os Ps. São os mesmos com rostos diferentes, porque envelheceram, porque rejuvenesceram, porque morreram, porque foram substituídos por filhos, netos, mulheres, amásias, sobrinhos, sobrinhas, afilhados, afilhadas, enfim.

A velha cantilena de mudanças sociais, de agenda positiva, se derrama nos ouvidos de todos nós desde quando Cabral, aquele antepassado do atual, desembarcou aqui por essas plagas. O gajo trocou por vidrinhos e badulaques a moral dos nativos da terra, a virgindade das nativas, as belezas naturais, os recursos preciosos de nossa mãe gentil. A partir de então a pátria só é amada pelos que devotam a ela o amor sincero, desinteressado, despojado de qualquer outra intenção do que a de se orgulhar de ser brasileiro. Os oportunistas querem usá-la, usurpá-la, sugá-la, sangrar seus cofres e seus filhos, se beneficiando de cada chance de enriquecer mais e mais, sem se importar de sujar as mãos de sangue inocente todo o tempo.

Por essa razão tenho nojo dessa gente, gostaria que tivessem uma morte lenta e sofrida, que lhes permitisse se lembrarem com detalhes dos golpes engendrados. Melhor do que isso, que pudessem visualizar o rosto de cada uma das vítimas das falcatruas adotadas por eles. Dizem que nos estertores da morte se costuma ver um filme da existência. Cenas aceleradas passam diante dos nossos olhos, creio que pela ação do cérebro sinalizado num dos estágios da inconsciência. Quando ouço a notícia de desvios de quinhentos milhões de reais, de um bilhão de reais, em curto espaço de tempo, fico abismado. Como executivos, políticos ou outra espécie dita humana têm a coragem de enriquecer através de prejuízos graves de outrem da sua própria espécie, muitas vezes a própria extinção da vida dos indivíduos? Indiferentes e impunes matam crianças, jovens e velhos. Seria, por analogia, como se clonássemos Hitlers e Mussolinis, assassinos em larga escala. A diferença é o final da história. Espero ainda não ter chegado ao final.

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