Home » Textos » As nuances do tempo

Categorias

Arquivo do Site

As nuances do tempo

Nuances 2

Um ano sem a Márcia e pode parecer ontem ou muito tempo. O tempo pode mesmo ser algo inconsistente. A sensação de percebê-lo depende do astral de cada um, dos momentos vividos, das dificuldades, das emoções, das alegrias e das tristezas. Podemos desfrutá-lo com a impressão de rapidez ou de morosidade, em dias fugazes e minutos arrastados. O percurso inexorável de nossas caminhadas nas plagas terrestres tem passadas árduas e movimentos leves como a folha, cuja trajetória pendular acompanhamos desde o desprender do galho. O humor estampado no sorriso de plena satisfação não fica para a eternidade dos ponteiros do relógio, é tão duradouro quanto a felicidade do amor perfeito. A crueza das torturas, físicas ou não, abre sulcos profundos na alma e no corpo. A intensidade da agressão independe da vítima, alterna o algoz, mas deixa marcas indeléveis não importa quanto passe o tempo. O arrastar das folhas do calendário de mesa ou a velocidade das páginas do touch screen do celular se confundem na percepção. Ao repensar o tempo como dimensão ou registro, alteramos o ponto de vista sob o qual entendemos o nosso entorno. A vida prossegue implacável, resoluta, tentando cobrir com o manto do esquecimento aquilo que menos lhe apraz. Somos passantes numa composição de vagões dinâmicos, parando em estações diferentes para descerem e entrarem novos personagens. A física nos esclarece a referência melhor, enxergada sob o prisma das plataformas ou do trem. Às vezes flutuamos, outras levitamos, eventualmente aceleramos ou paramos. A movimentação privilegia o inexato, o imponderável, o incompreensível. Perdemos, ganhamos, vivemos, enfim. O que se supõe tarde para muitos, se configura cedo para outros tantos. Ainda ontem eu conheci uma menina fogosa, radiante, impetuosa, bela e inteligente. Misturamos saber, essência, fluídos, amor e prazer. Reproduzimos em fatos, em conquistas e em seres as nossas aspirações, os nossos projetos, os melhores sonhos de existência. Fomos felizes, sofremos, vencemos e perdemos juntos. Superamos dificuldades e desafios. Menos um. E, como desejou o destino, foi exatamente esse que nos separou. Medição cronológica à parte, não saberia medir o lapso de tempo em que estivemos usufruindo das delícias da convivência, com as asperezas da imperfeição e as maravilhas da realização. Por ilusão ou constatação, a fração de cada instante se estendeu ou se encerrou de acordo com a suavidade da situação. De súbito, como um sequestro sem resgate estipulado, ela foi arrancada do nosso convívio. Não menos de repente, a cronologia comum indica ter passado um ano. No início, cada minuto durava doze meses, tal a saudade, o desespero e a agonia. Não me reconhecia sem a presença de quem perdera. A falta jamais será absorvida, verdade seja dita. Mas, o mesmo tempo pode ser algoz e parceiro. Nas tramas do livro da vida algo aconteceu e repôs o relógio em seu compasso normal. Hoje, trezentos e sessenta e cinco dias depois, as horas são percebidas como a natureza indica o nascer e o por do sol, o surgimento da lua e o chegar de uma nova página. Os fatos irrefutáveis, as lembranças, a presença no rosto, no caráter, na beleza, na generosidade, no amor e na singeleza dos filhos, permanecerão intocáveis. A bênção autorizada para a minha felicidade, também. Há quase quatro meses você me indicou um caminho, porque sempre soube que a vida seguiria. Tenho convicção disso, embora ao seu lado eu não aceitasse a ideia. Meu reconhecimento a ambas está no vídeo, em imagens, som e palavras. Lamento pelos que não entendam, como jamais compreenderam a sensibilidade de seu sorriso, o vigor de sua resistência, a força de nosso sentimento. Principalmente esse último continuará a nos alimentar, você aí e eu aqui. Prossigo em sua honra e em sua homenagem, vencendo com a sua ajuda os obstáculos que não suplantamos juntos. Ano após ano, seguirei iluminado pela sua luz nessa nova caminhada terrena. Meus cordões estão em quatro mãos, física e espiritualmente. Sua aura é perceptível, os eventos sinalizam a sua interferência. E isso me faz muito mais forte, por incrível que pareça aos desavisados. Um deles, o que se conhece por tempo, cuja indução aparenta a passagem de um ano. Mera simbologia na plenitude da existência.

[youtube]http://youtu.be/vOpShYMJqys[/youtube]


Leave a comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *