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Os mestres sem carinho

Professores manifestação

Dia das Crianças, Dia dos Mestres, tão próximos, tão distantes. Somos todos crianças e mestres, ao longo da vida. Distanciados da nobreza que a profissão exige, pelos interesses escusos da política rasteira, os mestres viraram alvo de agressões gratuitas ou não. Agredidos em sala de aula por crianças e adolescentes deformadas moralmente por uma educação familiar falida e desassistida pelas raízes sociais. Acuados no sacrossanto exercício do magistério, convivem com um rebaixamento inexplicável na pirâmide social.

Não há profissional mais importante na escala social do que os instrumentos de transmissão da cultura. Não por acaso todos os nipônicos se curvam respeitosamente aos imperadores, exceto os mestres. Aqui eles se curvam dobrados pelo cansaço diante das agressões da vileza dos governantes, esses preocupados em manter a população aculturada e agrilhoada a seus sonhos irrealizados. Mais recentemente, se viram massacrados pelas agressões da segurança pública. Não fora o suficiente, apareceram os truculentos e teatrais black blocks para agredir a tudo e a todos na maior manifestação popular de adesão ao movimento dos professores.

As agressões, portanto, ocuparam o cotidiano dos nossos mestres. Somos crianças indefesas ao aceitarmos passivos o assaque perpetrado pelas autoridades ao direito inalienável do povo saber mais e decidir mais e certo. Não interessa às classes dominantes, não importa o partido, pois cada um se locupleta na sua vez de estar no poder. Todos saem mestres em driblar a burocracia, a lei e os defensores dos fracos e oprimidos. Reagimos tardiamente e qual crianças indefesas diante da monstruosidade do establishment, com choro e medo do porvir. Queremos mais e melhor, mas não sabemos como conseguir.

Não aprendemos, desconhecemos, somos pequenos, menores diante da magnitude de um sistema viciado, corrompido, manipulado pelas garras de quem se perpetua no poder. As castas tratam bem seus filhos, irmãos, mães, pais e afins, mas esmagam seus mestres. Por conseguinte, aniquilam a possibilidade de um país melhor. Não se cala por amordaçamento a voz poderosa da razão. Ela se represa na garganta angustiada de um povo, mas o nó se desfaz com a força do protesto, com a expectativa da mudança, com a esperança verdadeira, não aquela falsa que diziam ter vencido o medo.

Os mandatários sempre se alinham contra o saber, contra a instrução, contra o esclarecimento. O povo inculto é o melhor dos mundos, se engana com mais facilidade. Somos mestres em sofrer a imposição do que não nos interessa, somos crianças em engolir o que nos apresentam como alimento. O aviãozinho vem e abrimos a boca, muda de nome, mas não de objetivo. Temos que cuspir na cara de quem nos impõe o que não queremos. Temos que virar a cadeirinha, a tigela, a gamela. Não podemos compactuar com a imoralidade, a insensibilidade, a ganância de poder, de extensão do sofrimento de gerações. Uma nação sem cultura não prospera, beneficia somente alguns poucos.

Temos que salvar nossos mestres, nossas crianças, nosso futuro melhor. Ele é semeado agora e colhido adiante. Passou da hora, basta! Salvem nossos mestres e nossas crianças! Somos todos mestres e crianças por toda a vida. Aprendemos até o último de nossos dias, ensinamos até o último suspiro. Expiramos sem saber o que exatamente construímos e legamos. Terminamos nossa caminhada tal começamos. Nascemos, crescemos, envelhecemos e voltamos a ser crianças, não tendo deixado de sê-las por espírito todo o tempo, num sorriso, numa trama, numa escaramuça. Precisamos de mestres longevos e efetivos que nos guiem.

Salvem os mestres e as crianças! Salvemo-nos todos nós!

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