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Os infringentes

Povo em bandeira

Enquanto isso, na Sala da Justiça, homens de preto, brancos ou não, legislam com linguagem rebuscada, dificultando a compreensão de tantos semianalfabetos sintonizados. Nunca antes nesse país tantas TVs estiveram ligadas para entender sobre os tais infringentes. Se tem gente nos interessa, ninguém engana mais o povo, desde o exterminador de maracutaias, nosso presidente mais ou menos alfabetizado, cachaceiro e espertíssimo. Sem estudar e trabalhando muito pouco, alcançou o ápice político e acampou no Palácio do Planalto com a atuante e desembaraçada primeira-dama D. Mariza. Não que o Joel Santana fale melhor o inglês do que o ex-mandatário fala o idioma pátrio, é ali no fio da navalha. Em homenagem ao xampu, nosso ex-presidente balança a cabeça e dá de ombros.

Os brindes sempre foram entusiasmados, apesar da pinga queimar um pouco e o torresmo enjoar o bucho. Hoje o doze anos rola macio pela garganta tratada e se acomoda suave na pança como traseiro em pau de arara. Deu para arrumar a fieira toda, uns mais da conta até. D.Eurídice faria gosto de ver a foto agora, todos muito bem de vida. Bem sabemos, essas maledicências faladas pelos invejosos são mais verdades do que o som ecoado das bocas de ferro. E daí, o povo não sabe. Vale a imagem, duvidosa, maculada, porém conhecida e antiga. Faz-se o que sempre se criticou, os escândalos não são menos escabrosos, há mais desfaçatez. Fazer o quê, mero detalhe. Os fins justificam os meios. O projeto é de longo prazo.

O martelo da lei bate forte nos ladrões de galinha, nos incautos, nos desassistidos, nos órfãos políticos. Quem tem padrinho não morre pagão, consegue uma sinecura aqui outra acolá, se arruma rápido na vida. Nem sempre se apresentam vestais, falantes, líderes positivos e naturais. Compõem grupos coesos e inatacáveis, castas intocáveis geração após geração. Jamais enfrentam a cadeia, escapam entre os dedos, escorrem pelos ralos como o dinheiro desviado, se ocultam como ratos escondidos nas manilhas.

O momento exige detida análise e avaliação minuciosa. Um voto dúbio prejudica milhões de compatriotas. Façam silêncio, façam estrondo, sempre se divertem às nossas custas. E nos acusam de xenófobos, censores, burgueses, preconceituosos. Melhor mesmo ser xiita, impor a vontade pelo piquete, pelo dinheiro, pelos hábitos franciscanos do é dando que se recebe. O trator que passa sobre os desafetos também premia as adesões, compra votos, opiniões, condutas. Aos amigos tudo, inclusive impunidade, aos inimigos a lei.

A presidenta, como adora ser chamada, exibe um ar blasé, ignora o que não interessa, pisa forte como de praxe, pigarreia, engrossa a voz, diz que faz e acontece. Tudo mis en scène. Lembra muito as charges do Amigo da Onça, de autoria do saudoso Péricles, quando as personagens agiam de um jeito e as respectivas sombras de outro. Para quem conheceu, o Planalto hoje trata-se de uma fiel reprodução das ironias em quadrinhos.

E nós, aonde vamos? O sol se reparte em crimes de colarinho branco, impunes, espaçonaves, guerrilhas perdidas e Cardinales velhas, mas ainda bonitas. Vamos continuar caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento, num sol de quase dezembro, janeiro, fevereiro e março? Alô, Alô, Realengo, aquele abraço! Alô, torcida do Flamengo, diria Mano Menezes, aquele abraço! Alô moça da favela, as que existem, viúvas ou não, aquele abraço! Todo mundo da Portela, do Salgueiro, da Mangueira, da Beija-Flor, etc. Já acabou muito em samba, cuja musa, a companheira Ângela Guadagnin soube protagonizar como ninguém em plenário. Sem decoro algum, sem educaçao, zombando de todos, das instituições, do povo. Denominaram-no o “samba da pizza”. Faz tempo que acaba em pizza. Coberta com caviar ao invés de aliche e brindada com champanhe. São os neo-companheiros, que dirigem Land Rovers, fumam cubanos, bebem e comem como burgueses. E flanam impunes ainda que cometam crimes graves. Deve ser em razão da justiça ser cega. Alegria, alegria!

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