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Um brinde à vida!

Brinde de aniversário

Como é bom comemorar o aniversário! Bebemorar também. Passei a semana surfando numa onda de alegria irradiante, numa vibe de energia pura, emanada de mãe, filhos, namorada, parentes e amigos. Minha sábia e octogenária mãe sempre brinda à vida. Nada mais simples e ao mesmo tempo profundo. Brindemos ao nosso bem mais precioso, maltratado pelos humores rabugentos, pelos ataques de pelanca, pelas crises existenciais, pelos pequenos, insignificantes contratempos. Vida que segue pujante, longeva enquanto dure, abrindo os olhos e enxergando os jardins todos como os do Éden.

Cada renovação desse contrato por prazo indeterminado merece uma celebração à altura. Abracei meus amigos Oscar e Lúcia, me lembrei do Robson, da minha prima Lilian, da minha afilhada Camila, da D. Odete, do seu Almir. Todos virginianos queridos, aos quais se juntarão o Jarbas, o Carlinhos “Gordura”, a Patrícia, o Bruno, a Miriã e outros. Não me esqueci do Dario, meu jovem e saudoso pai, que completaria oitenta e três anos de vida e cinquenta e oito de casamento no dia do meu aniversário, mas só viu quarenta e uma primaveras. Por essas e outras inúmeras e consistentes razões, ergamos nosso diário brinde de exaltação.

Nos ciclos anuais fechados, dediquemos o máximo de nossa alegria ao sabor especial da sobrevivência, ao doce paladar da felicidade, ao néctar da amizade em todas as formas, ao amor materno, filial, fraterno, casal. Admire o nascer do sol e aplauda seu poente, consagre o surgir da lua e vislumbre as estrelas. O céu há muito deixou de ser um limite, trazendo o gabarito das eternas perguntas: quem somos, de onde viemos e para onde vamos? Ouça o canto das sereias, dos boêmios e dos seresteiros. Sorria de tudo, das adversidades e de si mesmo, aprecie a oportunidade de repetir, de tentar outra vez, pois ela significa perenidade.

Sexta é dia de “pegar carona numa cauda de Cometa” e seguir para o Rio de Janeiro, que “continua lindo, continua sendo Rio de Janeiro, fevereiro e março” até dezembro quando começa a nos encantar de novo. A maresia me faz bem aos pulmões, à mente e ao coração. Nem me atrai tanto o fenômeno tornando tão cristalinas as águas do Atlântico Sul quanto as caribenhas. Verdes mesmo são os olhos a me esperar, eles que me hipnotizaram e determinaram a volta semanal à mestra. Enquanto ela não estalar os dedos e me acordar do transe, lá estarei para me curvar ao seu desejo.

Quis o destino, cogestor de todos os projetos, que a tristeza se apossasse de mim por um longo período. Era quando as lágrimas banhavam dor e angústia nas margens dos meus olhos. Hoje elas desaguam felicidade em cílios revigorados, ajudando a clarear as olheiras do sofrimento. Meu sorriso retornou e nem passou um ano. Depois de meses de semiclausura, quando me auto-devastei, descobri estar vivo e optei por prosseguir a caminhada. A despeito dos censores, inclusive eu, foi uma decisão compartilhada, fui liberado após muitas confidências etéreas. Não procurei, somente retirei as defesas, abri as comportas, desarmei as resistências. E a enxurrada irrigou o deserto de sentimento. Sou um novo homem, uma expressão de vida nova, guiado por uma luz forte vinda de outro plano. Ela iluminou o meu caminho até um coração generoso, braços carinhosos, alma incomum, rosto angelical, olhos de um verde prenhe de esperança.

Um brinde à vida!

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