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Manhã bucólica

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Em minhas andanças mineiras, dia desses conheci Lagoa Santa, bem próxima de Belo Horizonte. Fui com um grande amigo, Ricardo, ao terreno em que ele está construindo um sítio. Incrível como às vezes um passeio simples pode revelar enormes surpresas. De início, surpreende um caminho fácil pela estrada de acesso ao aeroporto de Confins até a entrada em Lagoa Santa. Por enquanto somos obrigados a passar pela cidade, enfrentando inúmeros quebra-molas, mas em breve haverá uma ligação mais direta e prática. Em seguida, a exemplo do que já foi um dia a Zona Oeste no Rio de Janeiro, chama atenção a saída do ambiente urbano para o rural em poucos minutos. De repente a paisagem muda para fazendas, sítios e áreas arborizadas, animais e peculiaridades locais.

Logo encontramos nosso destino, numa rua de terra batida com boas residências e gente conhecida. Fomos recebidos por diversas maritacas pousando na árvore em frente ao terreno, fazendo o tradicional rebuliço com a sua conversa atravessada.  As boas vindas forma complementadas pela Rhianna, uma cadela SRD extremamente dócil, cuja coleira indicava não ser de rua. Ela nos pediu afago com a pata, num gesto conhecido por quem tem animal carinhoso. Depois de muito cafuné respondido por grunhidos de agradecimento, a Rhianna anunciou a chegada do seu dono, o Buiú, o vendedor do terreno.

Um senhor de sorriso largo e de felicidade estampada na face, Buiú se apresentou como “engenheiro de obras prontas” e avisou: o cadeado está aberto. Os portões de madeira nova, fechados por corrente com cadeado, sinalizavam uma obra em andamento. Abertos, descortinam uma imagem muito especial. Além da construção adiantada da casa, em torno da mesma há um número espetacular de árvores frutíferas. Mamoeiros, tamarineiras, bananeiras, laranjeiras, limoeiros, cajueiros e outras. Até um pé de sirigüela eu revi.

Fiquei tão feliz de voltar ao meu tempo de infância, quando no meu bairro de nascença, Del Castilho, um subúrbio do Rio de Janeiro, convivia com essas coisas. Ainda me emocionava com as recordações, quando dois papagaios grandes pousaram na copa de uma das árvores. Lindos, livres, ariscos, vieram atrás dos mamões que disputam com os pacus habitantes da região. Tentei fotografá-los, mas um deles pareceu não gostar de publicidade e voou. Só registrei o outro.

Após saborear alguns tamarindos, o sabor ácido me fez viajar no tempo até o suco feito pela minha mãe com os frutos colhidos por mim na rua. A exemplo das propriedades medicinais de outras frutas, o tamarindo é rico em vitaminas A, B1, B2 e C, potássio, fósforo, ferro e cálcio. Com ação laxativa ligeira, resolve a prisão de ventre habitual, além de muito útil como temperante nas doenças inflamatórias e febris. Ou seja, alguns dos meus problemas infantis de saúde foram contornados por essa fruta, também classificada como legume pelas características de vagem.

Antes de irmos para o aeroporto, ainda foi possível aceitar o gentil convite para o cafezinho na casa do seu Moisés, vizinho do lado. Cortesia e hospitalidade típicas do interior. Um papo rápido e seguimos viagem. Enfim, a ida a Lagoa Santa me revigorou física e mentalmente. O contato do homem com as coisas da terra, com as pessoas simples, com os animais e com a natureza é excepcional antídoto para os males do corpo e da alma. Pena que não o repitamos com a devida frequência. Inexplicavelmente.

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