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Uma sombra nefasta

Foto caos BH 2

A quem interessa o caos? O que se tem visto pelas ruas das grandes capitais brasileiras é estarrecedor. Discordo de que movimentos populares gigantescos, fenômenos de massa, destruam como a natureza das ondas no fluxo e refluxo das marés. Fosse verdade, o tsunami de almas libertas arrasaria tudo. O cenário de destruição mostra um foco pré-determinado, alvos escolhidos e estratégicos, traçados com o planejamento de quem deseja reverberação. Os vândalos se movem como zumbis à cata de cérebros, não respeitam o desespero alheio, o patrimônio, a perspectiva de estragar algo que poderá lhes fazer falta, como os sinais de trânsito, por exemplo. Foi patética a cena da mulher ajoelhada e esmolando clemência aos baderneiros invasores de sua loja. O desespero estampado no rosto transtornado ao ver esvaindo o investimento de uma vida, seu sustento, seu futuro. Pelo capricho de alguém, por uma decisão inútil, pelo simples prazer de destruir sem qualquer objetivo, sem sequer uma frase de efeito, um cartaz, um pensamento. Apenas pela instituição da barbárie. Isso não traduz o espírito do movimento pacífico iniciado com o pleito sobre o valor das passagens. Nem espelha a esperança de dias melhores. Os saques, a destruição, o pânico se assemelham ao que os políticos impõem à população faz tempo. O recrudescimento da violência, em especial em Belo Horizonte, assusta o povo ordeiro e fragiliza o argumento das manifestações. Eu jamais imaginaria vivenciar a experiência da Interrupção de uma rodovia federal com acesso a um Aeroporto Internacional. Tão somente a título de tumultuar a vida de milhares de pessoas honestas, em dia com seus impostos e obrigações, tomados do mesmo desejo de reconstruir esse país. Afastar por mais tempo os cidadãos de suas casas, de seus compromissos, prender pacientes em ambulâncias, truncar a distribuição de víveres, muitos perecíveis, sem a menor noção da gravidade do ato. As pessoas riam como se estivessem num entretenimento, esbanjavam a alegria dos inocentes úteis ou dos marginais no estrito sentido do termo. A sociedade os colocou à margem da vida, da estrada e dos acontecimentos. Eram meras marionetes de interesses de outrem, de poderosos cujo desejo é se decretar um estado de sítio, seguida de uma ditadura de esquerda ou da repetição da ditadura da direita. Precisamos nos rebelar contra a violência gratuita, contra os assaltos oportunistas, contra o impedimento do direito de ir e vir de todos nós. Isso não é democracia. Há uma sombra nefasta pairando sobre as nossas cabeças, uma cumulus nimbus carregada de chumbo, tragédias e mortes. Vamos dar um basta nisso! Que sigam as manifestações pacíficas com seus milhares, milhões de insatisfeitos com décadas de exploração, indignados com a malversação de fundos públicos de forma cada vez mais escancarada, entra governo, sai governo de A, B ou C. Mas que elas repudiem com vigor e força a ação dos vândalos, expurguem os desordeiros do seio do movimento. Enfim, que as autoridades passeiem pela Av. Antonio Carlos em Belo Horizonte e se inspirem naquele cenário de desolação, uma autêntica cena de pós-guerra, para agir com extremo rigor contra os desordeiros, sejam eles quem forem, de máscara, de cara limpa ou pintada. Os governantes que venham a público e avisem à população, independentemente da pressão distorcida da mídia sensacionalista, que os direitos dos cidadãos estão em risco e a autoridade constituída vai extirpar esses facínoras com os meios necessários. Quem não quiser ser confundido com os bandidos, que se afaste das destruições. Não dá para separar o joio do trigo no momento da extirpação. Caso contrário, todos nós vamos pagar um preço caro. Está na hora de cortar a carne. E governadores, não pensem que depredação do patrimônio é melhor do que perda de vidas. Elas são linhas que se entrelaçam logo ali adiante.


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