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Nada é por acaso

Ordem e Progresso

Não só no Ipiranga, mas do Oiapoque ao Chuí as margens já não estão plácidas. O povo brasileiro, cansado de ser heroico, resolveu elevar o tom do seu brado, fazê-lo efetivo além de retumbante. As vozes de diferentes sotaques clamam por um sol de liberdade verdadeira brilhando, com raios de plena cidadania. A igualdade precisa ser reconquistada com braço forte e a nação inteira se mostrou disposta a trocá-la até pela própria morte. Queremos salvar a pátria de quem não a ama, livrá-la de quem idolatra a si mesmo, de quem usa o nosso suor em causa própria. O Brasil fraterno e igualitário precisa deixar de ser um sonho intenso que o Cruzeiro do Sul se acostumou a iluminar desde o início dos tempos. Vendo o futuro atrasado, o gigante abandonou a timidez e encarou os pigmeus, com a coragem represada dos colossos incomodados. Os filhos da generosidade querem sua porção do leite da mãe de todos. Acordaram e resolveram levantar os usurpadores de seu berço esplêndido, desejam compartilhar das vantagens de estarmos em evidência em um novo mundo. Não foram à toa os versos da “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias: “nossas várzeas têm mais flores, nossos bosques têm mais vida, nossas vidas mais amores”. Eles inspiraram Duque Estrada, mas os campos estão longe de serem risonhos e o seio tem poucos e infiéis amores. Queremos salvar a pátria de quem não a ama, livrá-la de quem idolatra a si mesmo, de quem usa o nosso suor em causa própria. A pátria amada, cujo símbolo de amor eterno é uma bandeira estrelada, tem sido traída e “subtraída em tenebrosas transações”. Ou fazemos algo ou passado, presente e futuro continuarão a se confundir nos enganos de esperanças que vencem o medo, mas não se concretizam. E se a pátria mãe chora a injustiça social e pede socorro, seus filhos jamais fugirão à luta. Nosso amor não teme sequer a morte, pois não há vida sem você. Se a única certeza do destino é a morte, nascemos e morreremos neste solo, num colo de mãe gentil, pátria amada, Brasil.

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2 comentários

  1. Roselee diz:

    Belissimo! Lembrei de “endurecer sim, perder la ternura jamais!” Assim vc escreve. Bjs

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