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Tristes diferenças

Viagem LAX-LAS 336

Viajar amplia nossos horizontes em todos os sentidos. Além de descontrair e relaxar, conhecer novas pessoas, lugares e costumes traz uma sensação de integração maior, de universalidade. É verdade que nos oferece choques mais efetivos do que esperamos, diante da realidade que reencontramos ao retornar às origens. Serviços com os quais convivemos em nossa rotina, ainda que critiquemos e exijamos mais, chegam a envergonhar depois que nos defrontamos com a qualidade de outros países. E a facilidade, a simplicidade com qual conseguimos resolver as coisas? Desacostumados, ficamos surpreendidos com o exercício pleno da posição de cliente, com o usufruto de direitos inalienáveis, contratuais, aos quais se dedica a atenção merecida em muitos lugares da face da Terra.

Os pontos turísticos, em especial, como Los Angeles e Las Vegas, onde estive agora, se habituam a tratar os visitantes a “pão de ló”. Mas a cereja do bolo são os serviços de rotina. Transportes, ruas, rodovias, estacionamentos, banheiros, etc. Tudo limpo, bem cuidado, prático e funcional. Andei centenas de quilômetros em estradas e em grandes vias metropolitanas de acesso em perfeito estado de conservação, sem pagar um cent de pedágio. Freeways com quatro pistas de rolamento para cada sentido interligam LAX e LAS. Numa região em que a frota se aproxima da frota brasileira, o escoamento ocorre com fluidez, tudo primorosamente sinalizado. Não resta dúvida de que a cultura e a educação do povo ajudam muito, mas a perfeição da infraestrutura é inegável.

Entrei no banheiro do aeroporto de Boulder, onde fui conhecer o Grand Canyon, e encontrei o ambiente, pasmem, perfumado com fragrância de lavanda. Ao entrar cruzei com outro usuário saindo de um dos boxes reservados do sanitário. De imediato o zelador se dirigiu ao box desocupado naquele momento para limpá-lo e desinfetá-lo. Na saída, uma mesinha com um pote de vidro tipo aquário redondo, com moedas. Ao lado dele um baleiro. Ou seja, a contribuição é voluntária e ainda lhe dá direito às balas. Aqui os banheiros da Rodoviária no Rio e em Belo Horizonte, por exemplo, são pagos e mal cuidados. Os do Tom Jobim não são pagos, mas nem de longe se parecem com os de Los Angeles e os de Las Vegas. Tampouco o de Boulder.

Os porquês dessas diferenças têm muitas justificativas e é óbvio que não as considero a nossa prioridade. Por sorte não precisei visitar hospitais no exterior, nem tive oportunidade de conhecer escolas, mas imagino o que encontraria. O desnível me deixou abismado, restringindo-me somente aos ambientes pelos quais circulei. E foram muitos, em diferentes situações e demandas. Há um contraste enorme e chocante, que com certeza se inverteria a nosso favor se eu visitasse um país menos desenvolvido do que o nosso. Mas sempre fica o gosto amargo da dissonância entre os povos, da falta de igualdade, da distinção. Somos seres humanos iguais, entretanto, necessidades básicas nos diferenciam. Pior saber que a humanidade é segregada pela fome e pela doença, males que assolam milhões pelo mundo.

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2 comentários

  1. Entendo tão bem o que você está falando Alexandre. Depois de morar na Africa fiquei ainda mais indignada com a disparidade entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento, e penso, até quando esses países vão continuar ‘em desenvolvimento’. Será que algum dia esse gap desumano vai ao menos se estreitar?

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