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Sol mente

Cama

Madrugadas em disfarces de dia,

na cama enorme e tão vazia,

eu procuro uma saída,

um sinal da minha vida.

Nos lençóis, espaços vastos,

prolongados, pouco gastos,

incertezas memoráveis,

proibidas, censuráveis.

Reflexos de sol noviço

iluminam o passadiço,

onde busco, então sozinho,

um atalho, um caminho.

Quando tudo se renova

e se sente posto à prova,

noites passadas em claro,

o sol mente, não raro,

num resumo de anseio,

um fim justifica o meio.

Ao revolver a memória,

recupero toda a história,

reflito antigas apostas,

refaço porquês sem respostas.

Os projetos não concluídos

viram sonos mal dormidos.

Se os olhos espelham a alma,

se refletem fúria e calma,

nas olheiras de uma vida

vê-se a alma enfraquecida.

Seja fraco, seja forte,

pela vida, pela morte,

até quando não se aceita,

o destino desrespeita.

Só nos resta ouvir a noite,

seu silêncio, seu açoite,

implorando ao capataz

que o dia nasça em paz.


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