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Coisas inexplicáveis

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Há coisas inexplicáveis sempre, umas mais e outras menos. Como entender que um voo do Rio a Belo Horizonte leve quarenta minutos e do aeroporto de Confins até a Pampulha se leve cinquenta minutos? Se você perder o ônibus executivo das 7:45 no aeroporto de destino, ainda restará esperar por mais quarenta minutos pelo próximo. Teremos então quarenta minutos de voo, quinze de desembarque, quarenta de espera pelo ônibus, cinquenta de percurso dentro da cidade. Para pegar o avião no Tom Jobim às 6:25 preciso me levantar às 4:30, sair de casa às 5:30 e chegar em cima da hora do embarque, com o check in já impresso em casa. Acordar às 4:30 de uma segunda-feira e chegar ao trabalho às 9:00. Não é a melhor maneira de iniciar a semana.
Outra coisa interessante é a maneira cativante dedicada pela companhia aérea aos seus passageiros, em especial aos mais fiéis. Você compra de um a dois bilhetes por semana e, caso precise remarcar o voo por alguma necessidade extrema, de agenda ou de doença, paga de multa o valor da passagem. Se cancelar, perde a passagem, mas paga a mesma multa pelo cancelamento. Não é um case de marketing? As empresas rodoviárias oferecem excelente conforto num ônibus-leito, no qual se dorme profunda e tranquilamente a noite inteira. Ao contrário de suas concorrentes de asas, os bilhetes rodoviários têm validade por um ano e podem ser remarcados durante esse período sem qualquer ônus. O valor das passagens de ônibus-leito e de avião é praticamente o mesmo.
Mas o fenômeno do melhor tratamento ao consumidor não se restringe às companhias aéreas. Resolvi comprar uma TV para presentear minha mãe no Dia das Mães. Uma rápida pesquisa pela internet me remeteu às Casas Bahia. Um preço interessante por um produto de marca confiável numa empresa de renome. Uma trinca de ases. Blefe puro. Paguei com um cartão de crédito de bandeira forte, com saldo quatro vezes maior do que o necessário. A compra foi recusada um dia depois sob a alegação de que a administradora do cartão negara. Ao contestar a informação, após me certificar com a administradora de que sequer houvera um contato, mudaram a versão. Alegaram uma inconsistência em meus dados que não podiam me informar. Coincidência ou não, nesse meio tempo, para ser preciso da noite para o dia, o produto que eu comprara por R$ 2.100,00 passou para R$ 3.400,00. Curioso, não?
Acometido de patologia que cogitei ser dengue, em virtude dos sintomas bastante compatíveis, na última quinta-feira procurei em Belo Horizonte um pronto atendimento da Unimed, por cujo plano pago um valor considerável. Logo encontrei um prédio suntuoso, recém-inaugurado. Após retirar uma senha dando conta de um prazo previsto de uma hora, aguardei por duas horas e meia para que um médico me examinasse. Esse é o país da ética, da justiça, da moral e dos bons costumes, que vem sendo construído em bases sólidas por décadas de administração profícua e incorruptível. Entra governo e sai governo, as gestões públicas dão os melhores exemplos aos cidadãos, às crianças em formação e a todos os setores de como se procede. O reflexo dessa cultura se vê no dia a dia, pois jamais sabemos, seja na área pública ou privada, de um escândalo de propinas, desvio de recursos ou malversação de verbas. Além disso, temos a satisfação incomparável do eficiente e extremado atendimento nas filas da saúde, da previdência, da educação ou de qualquer outro serviço de primeira necessidade.
Obrigados a agir sob conduta semelhante à oferecida pelos órgãos públicos, os serviços privados primam pela excelência na atenção aos seus clientes. O consumidor, assim como o cidadão, é tratado como um verdadeiro rei. Induzidos por esse comportamento exemplar, ratificado pelos padrões estabelecidos pelas novelas e pelo BBB, os cidadãos se tratam entre si da mesma forma, com cortesia, honestidade e benevolência. Afinal, já dizia o profeta antes de existir o 3G, “gentileza gera gentileza”. Ainda bem. Em breve mostraremos ao mundo como temos orgulho do Brasil. Nos eventos internacionais de grande porte vamos apresentar ao planeta o nosso jeito de fazer as coisas. Coisas inexplicáveis.

[youtube]http://youtu.be/ltIraCRxlNw[/youtube]


1 comentário

  1. oscar diz:

    grande Bal!

    ainda não consegui pensar em algo legal sobre o problema de esgotos vazando pelo Rio de Janeiro, que deveria ser interativo, e que possa exercer pressão sobre as autoridades estaduais. Cada dia, aparecem novos vazamentos. Se tivéssemos algo como um mapa assinalando os pontos de vazamento, hoje estariam bem iluminados.

    bem, enquanto não evoluo com isso, e na linha da cobrança, agora da esfera municipal, vou te dar uma idéia de assunto que gostaria que você avaliasse se vale a pena desenvolver algo. .

    passo quase todos os dias úteis da semana pela Rua São Clemente, que você conhece bem. É a rua onde funciona a Prefeitura, certo? e que imaginamos que o Prefeito passe quase todos os dias por ela, certo? pois bem, nessa rua, às barbas do Prefeito, conseguimos ver vários dos problemas de nossa cidade, como ex.:
    – rua cheia de buracos, com asfalto horroroso;
    – bueiros de esgoto vazando e bolsões d’água com qualquer chuvinha;
    – obras de emergência que não terminam nunca (as da CEG estão sempre lá), e quando tampam os buracos conseguem piorar ainda mais o asfalto. Há uma praticamente em frente ao portão da Prefeitura, cujo buraco já foi aberto e fechado algumas vezes, e que agora está fechado e totalmente desnivelado. Olha só, quase em frente à Prefeitura.
    – existem baias nos pontos de ônibus, e estes recusam-se a entrar nelas, parando no meio da rua, atrapalhando o trãnsito e colocando os passageiros em risco, pois não sabem se “vâo ou se ficam”. Uma dessas baias fica a menos de 50 m do portão da Prefeitura e há uma outra quase em fente de uma esquina, onde sempre tem um guarda municipal, que não está nem aí. A propósito, o trabalho da guarda municipal merece um capítulo á parte;
    – ocupação irregular das calçadas por comerciantes e coisas do gênero, além de calçadas mal conservadas e sujas;

    ou seja, uma simples passagem e podemos observar alguns dos problemas de nossa cidade. E o ponto principal para mim é que não tem como se alegar que a Prefeitura não consegue ver e resolver tudo. Estamos falando de uma rua nas barbas do Prefeito e, ainda tem um detalhe, em plena zona sul do Rio.

    se quiser evoluir no asunto e postar algo, só peço que eu fique no anonimato.

    abs

    oscar

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