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Os mal educados

Tenho vivido uma fase sabática na escrita. Culpa de uma revolta com os fatos a me rodear, uma indignação permanente a cada saída de casa, ainda que próxima. No recôndito do lar eu me abstenho dos noticiários o máximo possível, assim me protegendo do frenesi e dos midiáticos ataques. Estamos sujeitos a atitudes espúrias em qualquer circunstância.

No futebol brasileiro, o fair play virou chacota, sendo ostensivo o uso da medida como reles retardamento do jogo. No trânsito, a ameaça está em cada motorista ou motociclista, vândalos prontos a ceifar uma vida de graça. Em bancos, comércio, transportes, não se respeita filas, assentos reservados a idosos e/ou deficientes, enfim, são tempos sombrios.

Mas não vivemos numa bolha. Nas idas ao supermercado ou na procura por um simples lazer, estamos expostos a uma legião de mal educados, a uma turba de gente sem noção e sem limites, não importando o local, muito menos um suposto nível social.

No sábado fomos a um evento escolhido por equívoco, um espetáculo diferente sobre o Natal, cujo foco infantil foi omitido na sinopse e me estimulou a comparecer.

Era no Teatro Riachuelo e optamos pela matinê, às 17:00, quando encontramos uma lógica e grande concentração de pais com seus filhos pequenos. Portanto, era de se esperar exemplos para as crianças.

Ledo engano. Está proliferado o maldito vício, uma verdadeira obsessão, eu diria escravidão mesmo, uma doentia fixação pelos abomináveis celulares.

Não me refiro aos razoáveis registros na entrada e/ou saída, porque não dizer dentro do teatro enquanto as luzes estão acesas. O problema é a insistência dos inúmeros mal educados em manter os aparelhos acesos na escuridão. Pouco importou, nesse caso específico, o aviso prévio da produção do show para se desligar os celulares, em razão da apresentação usar como base a iluminação de led nos artistas. Os inconvenientes são muitos, a impunidade estimula as pessoas a agirem dessa forma.

Saímos do centro da cidade e resolvemos resgatar o sábado. Fomos à Barra da Tijuca para  assistir à pré-estreia do excelente “A vida em si”, do Dan Fogelman, que recomendo demais. Pois bem, local diferente, bairro elitizado, shopping classe A. Já me assustou o comportamento no “trânsito do estacionamento”. Afora dezenas de carros parados em local proibido, em cima de calçadas ou nas vias de acesso, verdadeiros animais irracionais ao volante em velocidade e dando fechadas drásticas no afã de estacionar antes dos outros. Os ignorantes desconhecem, desculpem o pleonasmo, a existência de um estacionamento no subsolo, onde havia mais de quatrocentas vagas livres.

Enfim, chegamos à sala do cinema, passando por uma multidão na praça de alimentação que aguardava o show do Jorge Vercillo e a chegada do Papai Noel.

Entramos, sentamos e, mesmo com as luzes apagadas na exibição dos trailers, dois casais se sentaram à nossa frente, conversando animadamente e em voz alta. Assim permaneceram até que eu sugeri ao vizinho de poltrona, também em voz alta, que discutíssemos as tendências do Campeonato Brasileiro. Aí os inconvenientes se calaram.

Não foi a primeira vez, nem será a última. Também se repetiram os celulares durante o filme, inclusive uma senhora ao meu lado atendendo o seu aparelho em meio a uma cena importante.

Já passou da hora de se proibir a entrada de celulares nesses locais, com revista na porta. Não adianta contar com o bom senso das pessoas. Elas não têm. Muito menos educação.

 

 


2 comentários

  1. Antônio Marcos diz:

    XANDU fui a um ballet russo no Porto, o Quebra Nozes e só consegui no poleiro e portanto via de cima quase todos.
    Mesmo durante o espetáculo, muitos com o telefone acesso parecia uma coreografia de vagalumes na platéia.
    Não adianta reclamar.
    Lamentável

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