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Encontro marcado

Ser um romântico inveterado é observar o tempo voando e perceber a emoção aumentando mais. Tal sentimento hoje aflorou ao rever, pela enésima vez, o filme Encontro Marcado(Meet Joe Black), mais uma das incontáveis metáforas sobre a morte. Uma das melhores, no meu gosto pessoal, em razão da abordagem poética e das marcantes interpretações do Brad Pitt (a morte/Joe Black), do Anthony Hopkins (William Parrish) e da Claire Forlani (Susan Parrish).

Chega a ser instigante a incógnita do confronto com o barqueiro, evitar a sombra desse incansável flerte desde o nosso nascimento. Há reciprocidade nessa relação, um jogo de interesses de ambas as partes, uma troca de informações. A morte nada sabe da vida, a vida nada sabe da morte. Pelo tempo disponível, ambas se incumbem de ensinar um pouco de sua experiência, numa reciprocidade mal entendida.

Projetamos sempre o futuro, alguma coisa melhor no porvir, buscamos algo cujo planejamento meticuloso privilegia uma época na qual sequer sabemos se viveremos. A felicidade não estará lá adiante, num destino por chegar, mas na trajetória, nos momentos vividos agora, no amor confesso em cada beijo de bom dia e de boa noite.

Precisamos usufruir mais dessas aparentes pequenas recompensas, enormes prazeres ao nosso alcance imediato. Passam rápido entre o nascer e o por do sol de cada dia, o fugaz anoitecer madrugador e boêmio, escapista e insincero. O melhor da vida é aproveitar os encontros marcados com a alegria, com o inusitado de um beijo roubado, com a satisfação plena de uma noite de amor verdadeiro.

O importante, em última análise, na efêmera passagem dos humanos por aqui, é provar do néctar das melhores flores, amar sem limite, deixando a felicidade invadir a alma, a alegria preencher o coração e a paz ocupar a mente. A caminhada, portanto, deve ser prazerosa, sem espaço para o ressentimento e a amargura.

Seguir o destino não parece suficiente. O desafio está nos melhores percursos, nos oásis de placidez da juventude ou nas restrições da idade avançada. Tanto o orvalho quanto a chuva forte podem se confundir com as lágrimas, deslizando no frescor da pele jovem ou superando os quebra-molas das rugas da velhice.

A felicidade está no agora, portanto coma, beba, beije, abrace e ame da melhor maneira, sem travas e senões. Afinal, desconhecemos os sabores e os sorrisos do amanhã. Jamais saberemos a data do nosso Encontro Marcado, até que ele se anuncie, sem estar agendado, pelo menos conosco.


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