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Um forte abraço

Não tenho certeza de quando encontrei aquele gordinho pela primeira vez. Ele não gostava de cerveja, portanto era uma figura rara no bar do Antonio, ao lado do açougue do Zé. Às vezes aparecia de forma fugaz, cumprimentava a todos com aquele sorriso enigmático, para em seguida abrir uma gargalhada simpática, revelando o seu bom humor tradicional. Talvez por isso eu deva tê-lo visto pela primeira vez na quadra do prédio onde moravam ele, Luís Eduardo, a família Pestana e os irmãos Cacá e Márcio, dentre outros.

Por incrível que pareça, aquela silhueta recheada por muitos bombons, doces em geral e bastante refrigerante, era o invólucro de um jogador de futebol arisco e hábil, dono de um chute muito forte. No futebol de salão essas proezas eram possíveis. Espaços pequenos, atalhos e percursos mais curtos favoreciam mais a criatividade, a inteligência e a potência do arremate. E ele se destacava, quase sempre, pelo inesperado.

Mas ele era mais do que bom de bola. Comportava-se de forma educada, extremado na cortesia, anfitrião como poucos, muito sagaz nos comentários, de fina ironia e bastante inteligência na condução dos assuntos, ele sempre foi um amigo admirável. Construiu uma carreira profissional consistente e equilibrada, constituiu uma bela família, cativou a amizade de quem o rodeava. E ainda torcia pelo Flamengo, compartilhando comigo muitos momentos de alegria rubro-negra no Maracanã e em outros estádios.

Gostava da boa música, do rock clássico e de grupos com os quais eu também me identificava. Fui presenteado por ele com algumas pérolas gravadas em CD ou DVD, hobby desenvolvido em paralelo à área de atuação, pela afinidade de conceitos. Até preciosas transposições de antigas fitas VHS familiares em DVDs ele me fez.

Enfim, como não há perfeição, ele abusou na execução de seus dribles, nos surpreendendo com a finta mais indesejável e inimaginável, deixando-nos surpreendidos com a sua passagem precoce.

Teríamos comemorado ontem mais um aniversário do nosso saudoso Eduardo Marinho, lembrou muito bem o Oscar, outro amigo comum. É impossível deixar de sentir a falta daquela figura.

Tive um enorme privilégio de poder contar com a sua sincera e querida amizade, meu prezado Edu.

Um dia nos reveremos para colocar o papo em dia.

Um forte abraço.


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