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Tempos de oportunismo explícito

Meu pai nasceu em 1930. Era negro, trabalhou desde garoto sem prejuízo dos estudos e não precisou do sistema de cotas, então inexistente, para fazer o curso universitário gratuito. Constituiu família aos 25 anos, com um bom emprego e um futuro promissor. Era um homem normal, que gostava de futebol, de samba e de cerveja. Em 1972, ao falecer com 42 anos incompletos, respondia pela diretoria de contabilidade de um grande conglomerado brasileiro, abrangendo uma construtora, um hospital e uma famosa rede de lojas de âmbito nacional.

Além de jamais testemunhar qualquer injúria racial dirigida a ele, em tantas vezes saindo juntos em ambientes variados, também nunca o ouvi se queixando de tratamento diferenciado, de humilhações ou de agressões preconceituosas para justificar seus insucessos. Nem o vi afirmar ter alcançado o topo de sua carreira “apesar de ser negro” e ao seu redor ninguém o chamava de guerreiro. Não posso garantir que ele tenha ficado imune às discriminações, só ele poderia relatar isso. Mas, se ocorreram, ele não as potencializou, preferiu se manter ínteiro e focado em ascender social e profissionalmente. Foi um grande vencedor e, depois que o sucesso vira hábito, tudo fica mais fácil.

A dedicação absoluta e a maior competência sobrepujam qualquer argumento contrário, se impõem com a firmeza de propósitos e com a inarredável persistência em se conseguir o almejado. É indiscutível não bastar o talento numa árdua escalada, pois há também quesitos importantes como estar no lugar certo, no momento certo. Qualquer falha na atenção pode significar um irrecuperável desperdício de energia e o desvio irreversível de uma caminhada exitosa.

Meu pai possuía um caráter íntegro e uma personalidade forte. Suas atitudes tornavam excludentes a vitimização e o oportunismo, suas vitórias pessoais se mostravam naturais e incontestáveis, seus exemplos duradouros. Sua memória é um legado mantido há quarenta e seis anos, para meu orgulho.

Sempre me constranjo quando vejo declarações carregadas de ódio, de autocomiseração, de desequilíbrio, buscando culpar terceiros, concorrentes, a sociedade e quem mais for possível pelos insucessos. Talvez em razão de ter convivido com as características marcantes do meu pai. E deploro ainda mais se a contundência dos ataques se escora em partidarismo, ideologia e até aproveitamento indevido de situações trágicas, misturando a verdade com outros interesses.

Somos todos iguais nos sucessos ou nos infortúnios. Só nos distinguimos pelo caráter, pela personalidade e pela competência.

O resto é vitimização, fragilidade ou oportunismo, alavancando uma propaganda nefasta e interessante apenas para os perdedores e para os detratores de plantão. Esses sim merecedores de respostas fortes e objetivas, através de atos construtivos e não de vazias justificativas.

 

 


1 comentário

  1. Antônio Marcos diz:

    Valeu meu querido.
    Bj no coração.

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