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Ó pátria amada, onde andarás?

Acione o video e leia o texto ouvindo o som. Se quiser ver os detalhes do vídeo, depois veja com calma. 
Foto: Alexandre Durão/G1

Feliz daquele que reconsidera seus conceitos e pode corrigir o rumo. Pretendo fazer isso agora, pelo menos de forma parcial. Escrevi outro dia sobre a costumeira incompatibilidade da alegria do Carnaval diante da caótica situação vigente no Brasil em geral e no Rio de Janeiro em particular. Não considero estar de todo equivocado quando sugeri um minuto, horas, os quatro dias de silêncio em protesto contra a violência e a corrupção reinantes no país.

Meu estado de espírito como carioca e brasileiro me impediram de escutar os sambas e acompanhar o desfile, como de praxe faço. Num vídeo postado na internet, conheci o samba enredo da Beija-Flor na voz doce de uma garotinha. Invejável a inspiração de quem fez a letra, na verdade um lindo poema. Depois de ouvi-lo com as restrições técnicas e vocais da cantora-mirim, fiquei imaginando a mesma música na voz de um profissional tarimbado como o Neguinho. Mais do que isso, sonhei com o Sambódromo inteiro ecoando os maravilhosos versos numa caixa de ressonância à altura da tragédia nacional vivida no momento.

Pois isso tudo virou realidade. A TV Globo Internacional desatou em rede mundial o nó na garganta de milhões de brasileiros, aprisionando por tanto tempo o grito de socorro da desesperança nacional. Acordei subitamente de madrugada e não conseguia mais conciliar o sono. Saí do quarto para não incomodar a minha mulher. Por instinto, resolvi ir para a sala e ligar a TV. Ia começar o desfile da Beija-Flor e fui premiado com momentos emocionantes.

Sozinho, no silêncio da madrugada, pude refletir com detalhe sobre aquele movimento popular tão crítico e tão elaborado. Testemunhei o brado retumbante do povo heróico às margens da Sapucaí, repercutido pela maior festa popular do Brasil e cheguei a tempo de ver o sol da liberdade em raios fúlgidos tentar brilhar no céu da pátria naquele instante.

Nem posso afirmar se era apenas alegria num extremo contraste com a dor aguda da insatisfação de um povo oprimido. Por outro lado, estou convicto das circunstâncias nefastas, das mazelas da classe política, da agressividade dos bandidos, do descaso dos governantes. Juntos e misturados, eles desmontaram a inércia da população, ainda que somente pela magia do Carnaval.

Que o silêncio proposto por mim não tenha sido quebrado em vão.

“Ó pátria amada, por onde andarás? Seus filhos já não aguentam mais!”

REAGE POVO BRASILEIRO!


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