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Não em 2018

Ao pensar no Facebook, no Whatsapp ou em qualquer outra mídia para desejar Boas Festas aos meus amigos e amigas, levei alguns minutos meditando sobre o que escrever. Os clichês do espírito natalino e os desejos de um 2018 melhor do que 2017 e pior do que 2019 não vêm funcionando ano após ano.

Ando pelas ruas, pelo comércio, pelos diversos lugares e vejo pessoas desanimadas, com um semblante triste, raros sorrisos. Até o clube que amo desde a mais tenra infância me trouxe cenas lamentáveis há uma semana, com o envolvimento de marginais travestidos de torcedores em total desrespeito à autoridade e às regras básicas do comportamento.

As notícias estão cada vez mais desalentadoras, as perspectivas sombrias, o Rio de Janeiro, o Brasil e o Mundo passam por um momento muito grave, sem líderes, sem justiça, sem horizonte.

A espécie humana parece ter chegado a um grau de desamor, de desrespeito extremo, que nem mesmo a lavagem cerebral da fé mercantilista consegue as habituais miragens de reversão. A desesperança começa a se inseminar em doses maiores e já flui com certa naturalidade entre as pessoas.

Mas a vontade de expressar Boas Festas aos meus amigos e amigas é assim uma iniciativa indômita, uma força da natureza, uma centelha incontrolável da mais profunda essência do meu ser. Maior do que a minha descrença na Humanidade, mais poderosa do que as intermináveis revelações do insucesso desse projeto chamado homem.

E apesar do gosto amargo desse drinque, sou impelido a propor um brinde. Um virtual tilintar de copos, capaz de replicar, nas proporções gigantescas e inesgotáveis da internet, numa frequência de onda desconhecida, tocando as mentes, os corações e as almas de todos, sem exceção.

Dos que terão e dos que não terão a sede saciada; dos superalimentados e dos famintos; dos ainda mais prósperos e dos desempregados; dos ladrões e dos roubados; dos enganadores e dos enganados; dos assassinos e dos assassinados; dos que sonham em cores e dos que mal dormem entre um pesadelo e outro.

Pois sucumbiremos todos juntos, inexoravelmente, se a ordem das coisas não sofrer uma radical mudança. Essa empreitada chamada vida, esse negócio chamado planeta está pré-falimentar. E, ao exalar o seu último suspiro, abrirá um ralo de incomensuráveis dimensões, um esgoto sem comportas, um caminho para o nada.

Portanto, quando chegarmos a esse preciso momento, esteja onde você estiver, em cima ou embaixo, CARPE DIEM.

Que isso ainda não nos ocorra em 2018.

Saúde e Harmonia para todos.

Boas Festas!


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