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Os jovens de 1974

Olhos brilhando e sorrisos escancarados, a foto traduz o sentimento desses amigos e amigas de longa data. Como de hábito, os inacianos de 1974 realizaram o encontro de fim de ano. Nesse 14/12/2017 escolhemos o Uptown, na Ayrton Senna, pela informalidade do local, para reunir um grupo de parceiros de mais de meio século.

Não éramos muitos, apenas vinte e três, mas representamos aquelas duas centenas e meia, um time inteiro de beca há quarenta e três anos, a galera registrada como os Formandos 74, aqueles rostos juvenis e sorridentes até hoje no quadro exposto numa das alas do Colégio.

Abraços saudosos e apertados, beijos carinhosos, histórias novas e antigas, o rito dos encontros felizes se repetiu. Novidades marcantes as presenças do Bordallo, vindo de SP qual o Henrique Brandão, e do Ruy Cascardo, os três ausentes fazia tempo. E a visita do nosso globe-trotter, Baptista, motivador da mudança da data do evento, permitindo a sua chegada da Polônia.

Dispensável dizer da satisfação de todos, da multiplicação de cada um para conversar com todos os colegas presentes, do prazer de reencontrar o riso estampado no rosto das eternas meninas e dos descolados marmanjos. Continuamos felizes. Se não esbanjamos a energia das correrias pela escola, nos pátios do recreio, nos campos e nas quadras inacianas, ao menos mantivemos a mente aberta, a coluna ereta e o coração tranquilo.

A informalidade tomou conta do evento até o depoimento do Baptista, carregado de emoção e  de sinceridade, com a generosidade fraterna do compartilhamento. Nosso querido Luiz Fernando de Araújo Baptista, um cidadão do mundo, trabalhou em quatorze países e fez um relato de vida inspirador, daqueles privados aos amigos de cinquenta anos.

Colegas de sala de aula, onde sentamos lado a lado, sou suspeito para falar da integridade e da retidão do Bap, esse legítimo inaciano. Sua caminhada pelo mundo, entrecortada pelos riscos em Monterrey/México, pela vida equilibrada em Edmonton/Canadá, pelo comportamento cartesiano na Alemanha e pelo diagnóstico frio do médico jordaniano, dentre outros, dão conta de uma alma diferente, de um caráter forjado pela formação escolar e pelas exigências do destino.

Com certeza temos em comum com o Bap, os presentes ontem, os ausentes de ontem e de sempre, os de outro plano, a riqueza maior de um ser humano: a essência da vida. Diferenciados pelos nomes, pelas turmas, pelos números de chamada, pelas carreiras escolhidas, pelos caminhos mais ou menos árduos, na verdade somos muito semelhantes. Temos o espírito inaciano e por isso nos distinguimos em qualquer lugar.

Agradeço a cada alvorecer, quando abro os olhos e dou um beijo de bom dia na minha mulher. À noite agradeço por concluir mais uma etapa e beijo a minha companheira antes de dormirmos. Acordando nesse 14/12/2017 eu o sabia iniciar mais especial. Tarde da noite, o repouso do guerreiro exigia o recolhimento da sexagenária armadura. Ao meditar sobre mais uma jornada, me faltavam palavras para defini-la, ou melhor, para qualificá-la.

Acordei hoje com as lembranças do almoço inaciano e me ocorreu a melhor definição para elas: sou um privilegiado.

P.S.: Taraba, depois do bullying de ontem, resolvi retornar ao meu barbeiro e reclamar do “implante lateral”. Ele reconheceu a falha e acertou o corte. Agora só falta você aparar a sua franjinha.


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