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#SOMOSTODOSMENOSALGUNS, Capítulo 34

Depois de baixar a adrenalina, num show magnífico do grupo Boca Livre, retorno para casa e para o computador. Há algum tempo não escrevo, embora não me falte assunto. A ética e a dignidade no Brasil estão raras, a Cidade já não é tão Maravilhosa, a violência segue numa escalada de mortes diárias, numa disputa acirrada e absurda de recordes com o desemprego. Enfim, a vida no Patropi não está fácil para ninguém.

Eis que o Panis et Circenses resgata esse quase velho coração, inoculando na minha corrente sanguínea uma dose extra de paixão desenfreada. O violento esporte bretão mexeu outra vez na sensibilidade aflorada do sexagenário rubro-negro, fazendo de conta que o esquadrão de décadas passadas entra em campo todo jogo do Flamengo.

O FLA x flu decisivo do Campeonato Carioca de 2017 , como habitual, começou quarenta minutos antes do nada e só terminou quando os deuses do futebol saciaram a sede dos desejos sequiosos. Com a perfídia dos imortais, tramaram do Olimpo da bola e iludiram os incautos logo no início, com a destruição da vantagem rubro-negra.

Os juízes da eternidade permitiram transcorrer quase toda a partida e passaram a instilar doses homeopáticas desse veneno do destino na jugular dos indefesos. Pari passu ministraram miligramas no empate perto do fim, outras tantas na expulsão do afoito goleiro adversário  e as derradeiras no gol de misericórdia no segundo final dos acréscimos. Pronto, estava extinto o otimismo exacerbado da minoria e a festa retornou para o seu local costumeiro.

Hoje os deuses escreveram a trigésima quarta história do retumbante sucesso regional nas páginas do sacrossanto livro do Maracanã. E fizeram de novo sorrir de êxtase o gigante perturbado pelas falcatruas perpetradas pelos algozes do povo. A maioria esmagadora urrou de felicidade outra vez.

Vibraram os mais pobres, os mais ricos, os remediados, os cultos, os analfabetos, os negros, os brancos, os pardos, os mamelucos, os mulatos, os janotas, os mulambos, os muçulmanos, os cristãos, os velhos, os novos, os corruptos, os honestos. Os milhões de integrantes da Imensa Nação Rubro-Negra reenergizaram cada rincão desse país entristecido e desolado a partir do Templo Maior do futebol, numerando as páginas do novo capítulo dessa trajetória vitoriosa.

Foi apenas o capítulo 34. Se quiser saber detalhes, fale 34 ao encostar do estetoscópio em suas costas. Repita: 34. Fale outra vez: 34. Não, não é 33. Os doentes, os sofredores traumatizados, os secadores, os pacientes do arco-íris em geral precisam dizer 34.

P.S.: Esse post eu dedico em especial a dois rubro-negros. Ao Attilio Diácovo, desapaixonado escolhido pela sanha do seu advogado e do seu dentista; da mesma forma ao Ricardo Pinheiro, mineiro honorário e viajor das Gerais até o Rio para se incorporar ontem à esmagadora maioria. E a todos os derrotados, os por adesão e os por osmose, aos quais avisei que continuaria a olhá-los de cima, fosse qual fosse o resultado.


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