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Feliz Páscoa?

Às vésperas da Páscoa, fatos lamentáveis e absurdos se transformam em verdadeiras bofetadas na face do mundo inteiro.  Dia após dia, a natureza do homem se mostra mais degradada. Tenho muitas dúvidas sobre a existência de um limite para a irracionalidade da raça dita humana. Atentados em metrôs de grandes metrópoles, bombas em eventos esportivos, armas químicas usadas contra civis, sem distinção entre idosos e crianças. Ameaças entre potências detentoras de arsenal nuclear e ontem a mãe de todas as bombas usada no Afeganistão. Vivemos tempos de cabeças cortadas frente às câmeras, de extremismo latente e decisões a critério de pessoas cuja insanidade se estampa no mais simples gestual e no mais conciso discurso.

Aqui na Pasárgada, onde se beneficiam apenas os amigos do rei, onde as vantagens maiores se destinam ao Amigo dos reis, enquanto o povo padece pela inominável falta de segurança, pela impossibilidade de ir e vir, pela precariedade da saúde, pela inexistência de qualidade nos serviços públicos em geral.  Mais ou menos carentes, enganados pelo canto de sereias aéticas e insidiosas, sofrem com o desemprego avassalador, com salários atrasados, com a miséria e com a desfaçatez dos privilegiados comandantes desse caos chamado Brasil.

O descalabro mascarado de corrupção e de licitações fraudadas, conteúdo de revelações ao longo dos últimos anos, mais especialmente nos últimos dias, apresenta a falência do moral e dos bons costumes, com a prática disseminada de propinas generalizadas. Os delatores, lastreados por inúmeros registros e evidências, expuseram uma podridão da qual desconfiava a população melhor informada. Um deles, o patriarca dos empresários corruptores, trata do assunto de forma muito bem humorada, chegando ao cúmulo de atestar a duração desse estado de coisas por mais de trinta anos. E os denunciados negando como inocentes imaculados, até mesmo ofendidos.

Não caem bombas dos céus das aves que aqui gorjeiam, nem treme a terra onde aqui nascem as árvores feitas palcos do canto dos sabiás. Mas os nossos bosques já não têm mais vida, em nossas várzeas rareiam as flores e nossas vidas professam menos amores. Os bilhões desviados das contas públicas, por uma enorme quadrilha encastelada no poder, assassinam milhares de brasileiros, de forma fria e planejada. Brasileiros exterminados em filas do SUS, brasileiros assassinados por balas perdidas ou achadas em ruas de grandes e pequenas cidades, brasileiros com os impostos em dia, cujo retorno pelo Estado se dirige aos bolsos desses degenerados. E TODOS, delatores e delatados, agem com a maior naturalidade, como se tudo isso fosse normal. Canalhas a tal ponto de tentarem desqualificar as denúncias pedindo mais provas.

Se a Páscoa representa renovação, o Brasil tem MAIS uma oportunidade, talvez a maior de todos os tempos, para extinguir essa doença incurável até o momento, proliferando de geração para geração. Como acreditar na natureza humana, se isso não ocorrer depois de tanta nojeira vinda à tona? Como aceitar essa matança de gente inocente, cúmplice apenas por não reagir à altura a tantos maus tratos? Os Dias não são mais os de Gonçalves, o exílio tem sido a única saída, a canção perdeu a alegria.

Fora isso, como desejar Feliz Páscoa?


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